As minhas terras.
Nas coisas da Nazaré, o meu pai nunca ajudou a minha mãe. Desprezava quase todos os cunhados. E tinha razões para isso. Ficou sempre sozinha nessa enorme contenda. Ela e a irmã, uma coitada. Foram miseravelmente roubadas claro. Vinte e muitos anos, com a indiferença absoluta do meu pai e a crença da minha mãe nos irmãos. Resolvi tudo com um enorme grito e com um número brutal em cima da mesa. Passaram depois disso 30 anos. Eu e o meu primo Zé. Hoje, cada um tem a sua casa e o mesmo terraço. Não existe nada melhor na vida que as coisas que nos custam muito a conseguir. Por aqui ando, por aqui estou e por aqui ficarei sempre. O meu avô Henrique era um pobre homem, guarda livros e comerciante. Teve uma boa loja na Nazaré. Foi vereador da Câmara de Alcobaça aquando da criação do novo Concelho da Nazaré. De novo, vereador da nova Câmara do novo concelho recém-criado. Perdeu tudo numa tempestade e ficaram apenas com um casebre na foz, onde hoje vivo num terceiro...







