O Infinito.
Uma vez o Júlio Gouveia, acerca da morte, disse-me uma frase feita que desconhecia: “uma pessoa só morre duas vezes. Quando morre e quando é esquecido.” Fiquei a pensar naquilo muito tempo e até lhe dei razão em certa medida. Mas, e há sempre um mas no caminho, o Júlio não era um crente. Não tinha certezas nenhumas acerca dessas matérias. Eu não. Sempre quis acreditar que a vida não acaba aqui. E, ainda hoje permaneço com essa ‘certeza’. A vida não acaba aqui. Vou mais longe: a vida não acaba nunca. Mas voltando ao Júlio, como poderemos prolongar a nossa memória para além daqueles que se lembrarão de nós? Não pelos exemplos, mas pelo que deixamos feito. Esta ideia persegue-me. Nunca partilhei isto com ninguém. É curioso. Nunca o ter manifestado com rigorosamente ninguém e agora o faça aqui em praça pública. A vida não é ou não deve ser apenas uma sucessão de etapas tidas como normais, ajustadas e aceites como tal, conforme a idade, os objetivos. Enfim, as tretas do costum...








