LUZ.
Esta varanda não é só fascinante pelos pores do sol que proporciona. Nada disso. É também pela luz que me devolve em todas as manhãs, quando aparece do outro lado e o horizonte surge com dois azuis. Um do mar e outro do céu. Maravilhosa sensação essa. No entanto, há outra dimensão que me devolve. Todas as noites. Todas. A marginal da Nazaré está iluminada até às 3.00 h. Nessa altura só se vê a estrada, a areia e o negro do céu e do mar numa só cor ou ausência dela, só interrompido pelas poucas luzes das traineiras que ou entram ou saem. Quando tudo se apaga e não há barcos no mar, só nos confrontamos com o negro absoluto. O negro. A diferença para quem observa, nada do que vê é verdade, porque basta a luz aparecer novamente para toda a escuridão se dissipar. Tal como na vida de todos nós, quando conhecemos antecipadamente tudo o que nos espera. Mas, esta varanda, por vezes não me diz tudo. Nem mesmo a luz quando aparece dissipa toda a negritude onde estive envolvi...







