A minha Tia e a minha ausência de perdão ou tolerância.
A minha tia foi a minha mãe. Sempre. Mulher difícil. Tão difícil, quanto inteligente, corajosa, culta, linda de morrer. Altiva e profundamente meiga. Sempre uma leoa a defender-me, como sempre defendeu os seus. Dentro de portas, extremamente lúcida, por vezes fria e até cruel. Uma Mulher poderosa. Adoro mulheres. Cresci e vivi sempre numa casa de mulheres. Difícil tarefa, não restam dúvidas. Um dia definiram-me desta forma: “Tu és uma península. Rodeado de mulheres por todos os lados, menos por um.” Talvez por isso tenha construído uma relação tão forte com o único homem da Casa. O meu Pai. O mais justo dos justos dos homens que alguma vez conheci. Amei muitas mulheres. Sempre me perdi de amores. Sofridos tantos. Sofridos todos. Hoje, e nestes tempos, quando me lembro da minha tia, só sinto, toda a enorme força que ainda me transmite a sua inabalável memória. Não são saudades. Essas serão eternas. Como de todos os meus mortos. Não é...
.jpg)






