A venda de uma enciclopédia e a compra de um par de sapatos.
Quando andava no primeiro ano da faculdade fui vender enciclopédias durante um mês. A comissão era boa. Vendi uma a um amigo de Leiria rico. Era um 'produto bom'. Em inglês, com montes de ‘ofertas de outras obras parvas’. Ganhei uma comissão de 9 contos e quinhentos e fui às Amoreiras comprar um par de sapatos topo de gama. Mas aquilo tinha reuniões semanais, com técnicas de venda bastante agressivas. Os que não conseguiam vender nessa semana eram humilhados. Entreguei a pasta e mandei-os à merda. Também já tinha os sapatos. O que é que eu poderia querer mais? Um dia, num jantar de ex-colegas da Domingos Sequeira, o filho do industrial a quem tinha conseguido vender a enciclopédia, perguntou-me com voz alta para todos os meus amigos ouvirem: “então, ainda andas a vender enciclopédias?” Respondi-lhe imediatamente: “Não. Aquilo era tão mau que o único bronco que deu 70 contos foste mesmo tu!” Lembrei-me desta estória porque, nessa altura usava uma máxima: ‘nunca...







