O meu Avô António, a Morte e o Perdão.
Todos os valores que mais prezo, aprendi-os com o meu pai, a minha tia Helena Branca e, inevitavelmente, com a minha mãe. O meu pai, homem discreto, sempre me ensinou quase tudo pelo exemplo e poucas palavras. Quando nasci, o meu avô António Teodósio tinha partido há apenas 15 anos. A sua presença sempre se fez e ainda se faz notar dentro daquelas paredes. O meu avô era um verdadeiro democrata e um fervoroso republicano. Escrevia no Jornal ‘República’ e era amigo pessoal do seu diretor, assim como de muitos outros oposicionistas do seu tempo. Tinha um temperamento curioso. Exuberante e divertido. Sensível aos outros e às suas vicissitudes. Um homem profundamente solidário. Construiu um cafezito, o primeiro da Vieira. Passados uns anos reformulou toda a decoração do seu café. Desenhou um balcão lacado a branco nos anos 30 do século passado, tinha peças de ‘arte Nova’, naquela Vieirazinha provinciana, sem mundo e pouca visão. Tinha uma sensibilidade estética fora ...






