Exmº Senhor Henrique Pereira Rodrigues.
Tem memória? Tem decência? Tem valores? Tem ética? Eu sei que não. Sabemos que não. Por isso vai baixar à terra sem nada que me faça ter a mínima compaixão. Foi um homem com imensos valores. É verdade. Trabalhador. Honesto. Nunca roubou ninguém. Limitou-se a ser o mais mesquinho, complexado e execrável dos homens que alguma vez conheci. Cuspiu sempre no prato onde comeu. Quem teria sido o senhor sem o meu pai? Talvez um empregadeco de balcão? Ofereceu a Pia batismal ao meu pai e à minha tia ao seu primogénito. Fizeram um negócio, como todos os negócios. Bom para ambas as partes. A lei, essa coisa sinistra nunca é estática. Por vezes muda. E enquanto muda e não muda, há sempre quem dela se faça valer. O senhor sempre se fez valer disso ao cêntimo, tal como o seu filho. Realizaram um negócio e fingiram que não o realizaram. Vigaristas todos vocês! Só vos pedimos, há 23 anos mais 15 ou vinte contos por mês. Cambada de escroque...









