O Gonçalito das TV's.
O advogado do Diabo. Sou um tipo bastante obsessivo em algumas coisas. Desde miúdo, com os discos de 45 rpm com histórias da Disney, ouvia-os sozinho, vezes sem conta. Quando a Lígia me contava sempre a mesma história (sempre a mesma porque a meu pedido) para adormecer, eu fingia estar a dormir e corrigia-a sempre que um pormenor era alterado ou omitido, porque tinha de ser sempre tudo igual. Nesse caso era a história dos dois irmãos que se perdiam na floresta e eram capturados por uma bruxa com uma casa feita de doces. Se o pormenor, por exemplo, do puxador da porta fosse alterado, eu abria os olhos e dizia: “não é com caramelos é com rebuçados” e por aí fora, até ao fim. Só depois de todas as correções conseguia adormecer. Fui sempre assim com tudo o que gosto muito. Sou perfeitamente capaz de passar uma noite inteira a ouvir a mesma música. Sou capaz de, com o mesmo prazer ler o mesmo livro vezes sem conta, com uns anos de intervalo, ou demorar-me horas a olhar para um quadro....









