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A falta que me fazes.

  O meu pai morreu-me nos braços. Amou-me profundamente, desde o dia em que nasci. Éramos totalmente diferentes, apesar de ansiosos os dois. Tínhamos e tivemos sempre uma postura diametralmente oposta com os outros. Não nos valores, na coragem ou nos princípios. Feitios. Não me recordo nunca de me ter elogiado ou sequer ter manifestado regozijo por algum sucesso meu, que os tive em manifesta abundância. Os fracassos aconteceram-me todos após a sua morte. Era um tipo discreto. Na felicidade e na infelicidade também. Um homem profundamente sério, tal como eu também penso ser. Escrevia-lhe muitas cartas quando estudava em Lisboa. A nenhuma respondeu. A nenhuma. Por vezes enviava-lhe poemas de diversos autores pelo correio. A nenhum respondeu. Fui sempre um excelente aluno até entrar na Universidade. Nesses tempos e nessa idade dispersei-me por muitos outros 'interesses' e fui um aluno medíocre. No dia do seu funeral, e apesar da chuva miudinha, lembro...

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