Taranta.
Na passada quarta, mais uma vez, passei metade do meu dia com
o meu querido Raúl.
Desde setembro de 2024, tem sido essa uma das minhas rotinas.
Um dia aqui direi tudo o que tenho sofrido com as suas atuais circunstâncias. Todos
aqueles que perto de mim estão sabem disso.
Apenas esses. Porque os outros, mesmo os seus mais próximos,
nunca saberão, porque dá sempre mais jeito continuar a ‘olhar para o lado’. É
mais cómodo. Elegantes, discretas e ausentes maneiras de
estar.
Para a semana há mais, e na seguinte e seguinte e seguinte. Lá
voltaremos os dois. Saio da Nazaré para o ir buscar à porta de casa.
Libertam-me sempre esses momentos, porque converso com um
tipo sensível, discreto e inteligente.
Um homem com a quarta classe. Operário. Simples entre os mais
simples, mas o mais profundo Amigo que mantenho.
Atravessa um período muito difícil.
Vai fazer 78 no próximo dia 14 de abril e a única coisa que o
inquieta, é a renovação da carta depois dos 80.
Falamos de tudo, como sempre fizemos.
São dias Felizes aqueles em que todas as semanas vamos ao hospital
de Santo André.
Comprou um carro novo agora. Fez bem. Precisa de ir ver o mar e o
rio todos os dias. Fez bem.
Na terça, lá iremos novamente. E novamente e novamente e
novamente.
Até sempre.
Porque ele não seria capaz de pedir nada a rigorosamente
mais ninguém. Nem eu o admitiria.
Dorme bem, velho Taranta e até terça.



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