Gente decente tem nome.
A vida das pessoas, dos países e do mundo repete-se, porque a
história tem essa particularidade, independentemente da sua amplitude temporal.
Nos últimos 8 meses, ressuscitaram em mim alguns fantasmas
que julgava extintos.
Tal como vivemos novamente num país com coisas estranhas tidas por
ultrapassadas e mortas, atravessamos um mundo sinistro e perigoso, pleno de
sinais assustadores, que pensávamos, tal como na frase que os judeus escreveram
em 1948 “never again”, quando se referiam ao holocausto; eu deparei-me com os
meus fantasmas mais assustadores que nem me lembrava ter tido. Tinha-os apagado da memória. Mas os fantasmas regressam sempre, quando menos esperamos.
Por acaso hoje até foi um dia muito bom e apaziguador. Como têm
sido os últimos, de resto.
Cometi um grave erro com os meus filhos desde que nasceram. Repliquei esse erro que me fizeram. Apenas isso. Ainda hoje o disse ao António: “Nunca
devemos amar as coisas, porque as coisas limitam-se a ser coisas. Nem lhes
devemos pertencer, tal como não nos pertencem. Tomamos temporariamente conta
delas. Nada mais que isso.”
Com a minha Casa nunca foi assim.
E, não é assim com os miúdos também, por minha culpa.
Vai demorar o tempo normal, as vicissitudes e tempos da
justiça, mas recuperaremos o que é nosso desde 1905, para enorme desgosto e ódio puro
de quem ainda pretende ganhar uns tostões com o que nunca lhes pertenceu.
Coisas da vida, da raiva e da morte, já agora.
Foi um dia bom.
Tranquilo, divertido e pacificador.
Essencialmente divertido.
Gosto sempre de passar todas as quintas a almoçar com os meus
filhos e rever todos os nossos TPC’s.
Coitado de quem odeia e apenas se sabe mover ou por inveja, ou
por interesses ou espertezas saloias.
Coitados de todos esses.
São o que sempre foram, como o tempo demonstrará oportunamente.
Os 'chico espertos' da vida.
Daqui até ao fim desse negócio que montaste no dia 1 de Maio, em cada encomenda que receberes, seja de revistas, tabacos, jornais, jogo, cafés e
demais faturas, olha bem para o nome da rua onde te instalaste.
Sim aquele nome que inventou o ‘foguetório
republicano’ a que tanta piada achaste e o primeiro
secretário da Assembleia Municipal pretendeu
ridicularizar.
António Teodósio Pedrosa.
É esse mesmo nome que irá desenhar o espaço que julgam ainda ser
vosso e que nunca foi vossa propriedade.
Tenho pena de tão desgraçada gentalha.
Pena.
Nada mais que isso.
A profunda infelicidade deve ser mesmo perturbadora.
Vamos refazer uma Casa linda e eterna António.
Todos.
E sem rigorosamente ninguém a atrapalhar ou a tentar tirar proveito da desgraça que nos aconteceu em Janeiro e Fevereiro passado.
Os dissabores, as tormentas e os azares consertam-se e resolvem-se.
Só os canalhas sem nome nem virtude querem tirar partido delas. Sem nada pretender resolver. Apenas tirar partido das circunstâncias. São como aqueles que aproveitam as montras partidas em Paris pelos outros e levam para casa o que nunca lhes pertenceu.
Essa gente tem um nome. Costumam chamar-lhes ladrões.
É o caso.
Desenha lá isso Tóino.
Temos pressa em reconstruir a Casa das nossas vidas e das vidas do que já partiram. E foram muitas.
Estarei por cá e acompanharei tudo isso, traço a traço, enquanto procuro com a Helena uma casita de pedra na serra com um terreno bom para os nossos invernos.
Concebe esse Templo de Teodósios na Vieira.
Onde jamais viverei.
Nessa terra, só me enterrarás, junto aos nossos.
Não pretendo nunca mais acordar ou adormecer por ai.
Não me interessa.
Só as nossas coisas prontas.
Falta pouco, porque o pior já passou e o tempo bom é sempre mais lento.
Como me dizia ontem a Xana: "há um tempo de pombas e um tempo de falcões."
Entramos hoje no tempo das pombas puto.
É mais doce, lento e feliz.
Aproveita e faz uma obra-prima.



Comentários
Enviar um comentário