As Curvas de uma mulher e as 'Farpas' de Ramalho Ortigão e do Eça. Nada a ver.
Existem poucas coisas esteticamente mais belas que o corpo nu
de uma mulher. Deitada de lado, com as suas curvas logarítmicas, onde se podem
passar suavemente os dedos, desde a cara aos pés, com toda a suavidade e tempo.
Digo isto, porque me foi sugerido que escrevesse apenas
acerca de ‘banalidades’. Coisas que não perturbam. Ou, perturbam pouco.
Para quem gosta, como eu, do confronto, do debate e da troca
de argumentos e de ideias, esta sugestão é manifestamente ridícula, ainda mais vinda
de alguém que me conhece profundamente.
Tenho hábitos de leitura desde o final da adolescência. Muitas
vezes compulsivos. Ecléticos e com poucos filtros.
Adoro as coisas do Eça, como penso que todos sabem.
Existe uma obra escrita a duas mãos.
A dele e a do Ramalho Ortigão. As Farpas. O contrário do
corpo de uma mulher nua, porque o oposto da suavidade.
Vejamos o que foram:
“As Farpas foram, assim, uma admirável caricatura da
sociedade da época. Altamente críticos e irônicos, estes artigos satirizavam,
com muito humor à mistura, a imprensa e o jornalismo partidário ou banal; a
Regeneração, e todas as suas repercussões, não só a nível político mas também
econômico, cultural, social e até moral; a religião e a fé católica; a
mentalidade vigente, com a segregação do papel social da mulher; a literatura
romântica, falsa e hipócrita. As Farpas eram um novo e inovador conceito de
jornalismo - o jornalismo de ideias, de crítica social e cultural”
In WikipédiA
De cada vez que escrevo um texto sobre política local, com ou
sem personagens nele envolvidas, recebo alguns telefonemas desencorajadores
para que assim não continue a proceder. Normalmente, de gente que como eu assim
também pensa. Só que, ‘parece mal’.
E, como hoje me disseram: “escreve sobre robalos, sobre o mar
e as florinhas do Sítio.”
Dispenso essas preocupações com o meu bem-estar e ainda
desprezo mais esses telefonemas. Ainda mais vindas de quem vêm.
Sobretudo, quando esse bem-estar, mais não é que o bem-estar alheio.



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