"Vai à Merda". "Vai tu!"
“Vai à merda”
“Vai tu!”
É este o código que escolhemos para nos despedirmos de todas
as nossas intermináveis conversas.
Ninguém acreditará nisto.
Pouco me interessa.
Foi a forma que entendemos acabar com conversas até
madrugadas fora.
Cumplicidades recentes.
Coisas de gente muito sofrida.
Cenas de família.
Coisas de sangue,
como tantas e tantas vezes dizes.
Coisas nossas.
Que, talvez poucos entenderão.
Pedi-te apenas para me veres chorar, sem fazer barulho.
Como sempre fiz.
Sozinho.
Já te vi gritar.
À exaustão.
Depois disso,
logo depois,
uma noite.
A trocar tristezas e angústias enormes.
Ninguém acreditará nisto.
“Vai à merda.”
“Vai tu!”



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