Vai ficar Assim. Imaginem as outras?

 


Este texto somos nós há mais de cem anos.

Pois que, há semelhança de hoje, ninguém que todos sabemos quem foi, parta as vitrines.

Nós não somos assim!

Nem pela calada da noite, nem pela luz do dia. Não somos, porque nunca fomos. Nem sequer capazes de ficar com o que nunca foi nosso, como outros foram. Antes pelo contrário.

...

"Esta casa foi construída em 1905 por Jacinto Teodósio Pereira, que teria feito em novembro de 2026, 159 anos.

Arrendou a parte habitacional e comercial.

No centro da aldeia.

O seu filho António Teodósio Pedrosa era um garoto e no fim da adolescência foi para Lisboa aprender o ofício de comerciante. Por lá foi ficando. Ganhou diversos prémios de montras nos melhores armazéns do Chiado onde trabalhou.

Regressou à terra, tendo-se estabelecido com uma loja de fazendas e retrosaria. Passou-lhe um dia pela cabeça fundar um café, em 1919, no espaço contíguo. Deu-lhe o nome de 'Café Liz - Cervejaria'. E fê-lo em grande. Com um primeiro andar para jogos de salão, um bilhar lindo de madeira maciça e mesas de jogo. Construiu uma fabulosa escada de caracol e um elevador manual para levar bebidas do r/c para o espaço de recreio dos seus clientes. Tinha também um ‘frigorífico’ para refrescar bebidas, numa cave com 1 metro cúbico com barras de gelo.

O balcão e a decoração eram de ‘Arte Nova’, os seus empregados vestiam casaco branco e calças pretas. Tudo em grande! E, mesmo depois da sua morte prematura, aos 56 anos, o café continuou. Funcionou nesse espaço até 1962, já com a gerência do seu filho Armando Teodósio Pedrosa, que decide modernizar esta velha casa, rasgando as montras da antiga loja de fazendas que tinha acabado de fechar.

Era, sem dúvida o café mais moderno da Vieira e de toda a região próxima.

Fechou em fevereiro passado, pela força das circunstâncias.

Reabrirá um dia.

Moderno, lindo e irrepreensível.

Como dizemos uns aos outros, há gerações, em todas as passagens de ano:

“Viva a República!”

Sempre foi essa a sagrada senha dos Teodósios nesse velho Café, que um dia ressuscitará com a vontade inabalável de voltar a agarrar o futuro.

Há quase seis décadas adiado.

"Café Liz, Cervejaria - desde 1919".

Esta Casa é o berço de todos os Teodósios, e esta a sua divisa de mais de cem anos em todas as ‘Passagens de Ano’.

“Viva a República!”

Quem poderá, em boa verdade, olhar para o futuro, caso não tenha o mínimo respeito pela memória daqueles que tiveram o mesmo sonho e a criaram?

“Viva a República!”

Um grito que se voltará a ouvir dentro destas mesmas antigas paredes em todas as meias-noites de todos os 31 de Dezembro, com 12 passas de uva na mão de cada cliente, uma taça de champanhe e um enorme respeito pela Liberdade, pela Igualdade e pela Fraternidade!

“Viva a República!”

Sempre.

Café Liz, Cervejaria - desde 1919."


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