Tá a acabar.
Daqui a pouco, pelas seis da manhã, lá estarás António, mais uma vez,
a receber o empreiteiro, como sempre fizeste.
Sem ti, nunca teríamos reconstruído coisa nenhuma.
Sem ti, a tua mãe, a Helena e o João.
Ficámos sozinhos e com tantos problemas.
Tudo ultrapassado.
A obra do prédio termina brevemente.
Fica apenas e por indecência absoluta uma questão a resolver com o nosso ex-inquilino
que arromba fechaduras, não respeita despachos presidenciais para encerrar o
seu estabelecimento e teima, desde março, em pensar e dizer que o nosso espaço permanece
dele. Entrou, em fevereiro passado na nossa casa no primeiro andar, violando propriedade
privada, durante a tempestade, para colocar lonas de plástico e pregar pregos nas nossas
paredes.
Hoje arromba as nossas fechaduras, não comparece
quando convocado e deixa passar o irmão e a cunhada a
verificar a nossa presença no dia e hora previamente marcada para que retirasse, pela segunda vez, as tralhas que ainda lá permanecem. Esconde-se, logo após, e no seu atual café, atrás de uma porta qualquer e depois telefona-te pelas 14.00 h, bêbado, a pretender resolver as coisas a bem connosco.
.../...
Faltam-nos reconstruir ainda dois apartamentos, 3 estúdios e entrar com
um processo judicial contra ele.
Depois disso, sobra-nos o sonho em refazer um projeto antigo.
Quase tudo pronto, após tanto tempo e enorme sofrimento, desde 28 de janeiro último.
Valeu, porque conseguimos ultrapassar a nossa Odisseia.
Com os do costume a tentar-nos fazer a vida num inferno.
Como sempre fizeram.
Nada de importante.
Nada de novo.
E rigorosamente nada de perturbador.
Concedemos-lhes todas as oportunidades.
Já chega, porque para nós Acabou!
Começaremos o nosso encontro com o futuro, porque temos, juntos, 1000 vezes mais força que esta grua, 1 milhão de razões mais fortes ainda e todos os sonhos do mundo.
Ninguém nos poderá fazer parar.
"Rebenta fechaduras pá,
rebenta fechaduras!", ...
como diria Álvaro de Campos noutra versão.
Chegou a altura de dizer:
"preocupem-se com as vossas coisas, (e isto vale para todos e para tudo), porque nós preocupamo-nos com as nossas e fazemo-lo com elevada competência".
Digo-o sem qualquer modéstia, porque fartei-me dos falsos humildes e desgraçados profissionais, que se queixam da vida e dos seus infortúnios inevitáveis.
Façam sempre das fraquezas forças e não pretendam dar lições a ninguém. Reconstruam as vossas ruínas. Só o atingirão desde que o vosso carácter não se tenha arruinado. Ou porque ruiu ou porque nunca o tiveram. Nessas circunstâncias, nunca conseguirão reconstruir rigorosamente nada, simplesmente porque são pequeninos, mesquinhos, azedos e profundamente maus.
Não é o nosso caso, porque somos pessoas de bem na Vieira há 200 anos, nunca nos aproveitámos das fraquezas alheias, a hipocrisia nunca nos habitou e olhamos para o futuro com esperança.
Sempre e desde sempre.
Há mais nessa terra.
Felizmente!
E o nosso futuro coletivo, como terra, residirá sempre em gente assim.
Ainda são bastantes aqueles que por aí habitam.
Que os saibam aproveitar se forem capazes!
E acabem com os de sempre que concordam com tudo o que pensam dever concordar para se manterem nos lugares costumeiros.
Refresquem-se e agarrem o futuro.
A Vieira precisa, como de pão para a boca, de inteligência, de frescura, de verdade, de futuro e sonho.
Só os de sempre não o admitem, por uma simples razão: têm de sair.
E não querem.
Borda fora com esses.
E esta realidade óbvia é tramada.
Para eles próprios evidentemente.
Ou para todos vocês, que por aí vivem.
Não é, felizmente o meu caso.
Como dizia José Saramago: "por vezes é necessário sair da ilha para se ver a ilha.
É o que sinto.
Todos os dias.
Saibam aproveitar aqueles e são muitos, os que aí ainda vão permanecendo.
Seria sinal de sabedoria, mas não me acredito que aconteça,
porque "há sempre valores mais altos que se levantam",
como disse Camões.
E os mesmos de sempre teimarão em permanecer.
Por vaidade, soberba e ridículo autoconceito, de quem não se
enxerga, que o seu tempo há muito que passou.
Entreguem esses lugares aos novos ou menos novos, desde
que tragam o futuro que a Vieira merece!
Não é com Presidentes demissionários, nem com 'Gabrielas
Canavilhas', nem com 'Capatazes bufos' e 'Vozes de Menina'
que lá vão.
Isso não vão!
Quanto ao melhor e mais antigo Café da freguesia fica por
minha conta.
Cada um faz o que sabe e o que pode.
Nós faremos a nossa parte para recriar o melhor Café do
Mundo.
Café Liz - Cervejaria - desde 1919.
Isso, fica por nossa conta e já é muito.



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