Pesca e Robalos Invisíveis.





Hoje fui à pesca pela primeira vez.

Esperei pelos miúdos. Fomos comprar bom isco e uma linha nova para a cana do António.

Tínhamos um bom professor, o Cabral. Ensinou-nos a fazer os nós e pôr a chumbada, o anzol e o isco. E a fazer o lançamento evidentemente.

Fomos para a praia do sul.

Eu, nestas coisas sou uma criança de 8 anos. Sempre cheio de esperança de alcançar alguma coisa.

Horas sem nada. Perdemos uma chumbada e fizemos muitos lançamentos.

 Estava uma tarde fabulosa.

Às tantas o António só me diz: “quando vimos à pesca nunca é para pescar pai. É para nos divertirmos.”

Conseguimos isso.

No fim, eu concluí que ainda bem que não tínhamos apanhado nada, porque poderia ser considerado ‘sorte de principiante’.

Duas canas para três, alguma comida e o Cabral calmo a olhar para o horizonte.

Bem vistas as coisas, quem poderá desejar mais alguma coisa da vida e ainda por cima comigo e com o António sempre divertidos.

Há tardes felizes.

Telefonei de noite ao Paulo Vicente, como quase sempre faço. Mandou-me à pesca e disse categoricamente que não tínhamos pescado nada simplesmente porque não viu as fotos do peixe.

Respondi-lhe que os pescadores, os caçadores, tal como os presidentes de Câmara são todos uns mentirosos.

Só não apareceram as fotos dos robalos, porque se nos acabou o rolo da máquina.

Só isso.


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