O dever de Obrar.



Como sempre digo, Deus só nos dá a cruz que somos capazes de suportar.

No momento de levantarmos o madeiro, nem sempre entendemos essa evidência. Parece sempre pesado em demasia e muito superior às nossas forças.

Há, pelo caminho, quem a sobrecarregue com peso desnecessário. Há sempre gente assim, turvada pelo aplauso da turba, ululante com o sofrimento alheio.

Hoje recebi um curioso telefonema. De um inquilino a quem reduzi a renda há dez anos, nunca tendo recuperado esses valores (já de si reduzidos), apenas porque me sensibilizei com as suas dificuldades de momento. Nunca conheci nenhum senhorio que o tivesse feito. Perturbado estava hoje  porque lhe tinham dito que havia uma enorme grua em frente ao seu estabelecimento comercial.

Coisa deveras “desagradável”, apesar de se encontrarem de férias e, em consequência, de portas fechadas. Prejudicava a montra!

Aquela grua esteve terça e quarta-feira estacionada no espaço das antigas bombas de gasolina e com a respetiva autorização da Petrogal, com licença de ocupação da via pública e policiamento que me custou cerca de 750 € por esses dois dias.

Quando fiquei com o telhado do prédio levantado pela Kristin, dois apartamentos completamente destruídos e ainda 3 estúdios e me encontro finalmente a reparar o meu imóvel, o meu inquilino deixa-se perturbar por uma montra (potencialmente tapada), porque “ouviu dizer”. 

Divertido, respondi e enviei fotos da grua que já não se encontrava por lá há dois dias.

Que terra essa, que mesmo quando um gajo faz a sua obrigação, partilha factos e realidades que nunca existiram.

Se fosse há uns anos atrás apetecia-me dizer:

“se quiserem sair, saiam.

Até me fazem um favor! Arrendo-a já por muito melhor preço."

Eu não sou o meu pai.

Nunca serei.

Porque não suporto ingratidões e faltas de memória.

A bondade para o meu pai nunca teve limites. 

Para mim tem!


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