Helena, meu Amor.



Às vezes penso,

ou melhor,

 todos os dias penso,

quem és tu mulher,

na minha vida?

Nunca sei, porque não estava preparado, como nunca estive para um amor assim.

Avassalador.

E, ao mesmo tempo tão calmo e suave.

De todos os dias que abres a porta de casa e estou à tua espera, é um reencontro.

De dias e meses de espera.

De tempos sem fim.

Sem tamanho nem forma.

Regressas sempre exausta dessa mediocridade e perversidade de organização onde a maioria dos funcionários com quem habitas diariamente, mais não são que incompetentes, cobardes e laxistas. Os bons são tão poucos que se encontram quase impedidos de provar o seu valor.  

Todos os dias regressas.

Todos os dias te espero com tudo pronto.

Logo eu, que sempre fui um desleixado.

Um egoísta e um homem vulgar que sempre achei que tudo era ao contrário.

Amanhã e em todos os amanhãs que se lhe sucederão, estarei aqui para ti.

Sem te ouvir um queixume, uma inconfidência, uma conversa ou calhandrice.

Sem nada.

Apenas sei o teu cansaço e vou adivinhando o que atravessas todos os dias.

E lá vamos depois de chegares a casa, caminhar uns kms, a pé pelo porto de abrigo, pela praia e entre os veleiros no estaleiro a céu aberto até ao mar da praia do sul.

Como nos disse alguém que encontrámos há pouco na Nazaré: “foi uma maratona onde te meteste, tens de cruzar a meta”.

Ficámos a perder os dois.

Isso ficámos.

Mas iremos cruzar essa meta juntos.

De mãos dadas.

Meu amor.


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