Elogios de Plástico.



Entre 2014 e 2018, vivi sozinho na minha casa por cima do Café.

Atravessei os piores momentos de toda a minha vida nesse período. Carregado de dívidas, com a minha tia a morrer aos poucos. Faziam-me companhia o Kadhafy e o António.

Um cão e uma criança de 12 anos.

A música e a noite estiveram sempre comigo. E uma garrafa de Jameson com gelo.

Cada um entrava naquela casa à sua hora pré-determinada.

O primeiro era o Kadhafy, que ficava aos meus pés até me deitar, fosse a que horas fosse, porque saltava, sem cerimónia, para a minha cama e encostava as costas nas minhas e, com isso, nunca permitiu que eu adormecesse na mais profunda solidão.

O segundo a entrar, lá pelas 9 da noite era o ‘inspetor’ António para saber se tinha jantado e o quê. Sentava-se num banco na minha frente a abanar a cabeça, porque não gostava de me ver derrotado e sem esperança.

Depois de ele sair começava a abraçar o Jameson com gelo, até ao fim de muitas horas, porque sempre bebi muito devagar. Boa música ouvia eu nesses tempos, tal como agora, já sem o Kadhafy e sem o Jameson.

Tempos idos.

Felizmente.

Acabei o dia hoje, com a Helena ao meu lado, de mão dada, como todos os dias, sentados a ver o pôr do sol na Nazaré numa varanda que me esgotou 30 anos de esforços, negociações e tormentas diversas.

“Não devo rigorosamente nada a ninguém”, disse eu. E até esta varanda faz confusão a tanta gente.

Perdi coisas, uma carreira, prestígio, pessoas. Tenho uma reforma de 780 €. Bastava-me bem para sobreviver.

Disse-lhe que devo muito ao que me deixaram, porque há pessoas a quem nada foi deixado.

Quando nos aconteceu o 28 de janeiro, deixei escrito que quando fazemos ou herdamos coisas e elas são destruídas, temos por obrigação reconstruir tudo.

Foi o que fiz e continuo a fazer.

Não é nenhum motivo de orgulho, porque de uma mera obrigação se trata.

Já quando nos dificultam a vida, apenas para complicar ou tirar partido da desgraça alheia, e tecem depois loas enormes e hipócritas àquele(a)s a quem roubaram um dia, apenas para ficar agora bem na fotografia de grupo, já nem é a indiferença que me move, porque de asco se trata.

As minhas coisas, que até são poucas ficarão irrepreensivelmente reconstruídas. Nada mais é que a minha obrigação e, caso não tivessem sido esses difíceis tempos, com o António sentado num banco a perguntar o que tinha jantado, e eu sem ter jantado, nunca seria capaz de me ter transformado num homem tão forte e totalmente frágil ao mesmo tempo.

Denunciei tantos hipócritas e hipocrisias que nem me quero deter em qualquer dele(a)s e nos nomes que ostentam.

A absoluta Liberdade acarreta consigo a solidão. Ou então pouca gente à nossa volta. É esse o preço da dignidade.

Poucos o pagam, porque é difícil, sofrido, muito sofrido e nada compensador.

Quando leio certas boçais alarvidades acerca da minha mãe e da sua importância na formação de certos carácteres tidos como exemplares, ainda por cima vindos de quem contribuiu sobremaneira para ter sido roubada execravelmente no passado,  não me dá vontade de vomitar nesse texto, mas sim e acima de tudo naqueles que dele gostaram e parecem estar sempre distraídos com tudo o que se tem passado ultimamente.

Vem aí setembro, o princípio do frio, o final das vindimas e o começo de um novo ciclo. A vida é mesmo assim. Ciclo atrás de ciclo.

Virá o inverno, o Natal, e de novo a Primavera.

Já são 860 textos em 4 anos e com mais visibilidade que seria de esperar, onde um dia obtive este comentário da filha do autor dessas frases laudatórias acerca de quem me deu a vida: “só não te chamo filho da puta porque a tua falecida mãe não tem culpa nenhuma do projeto de homem falhado que criou. Que descanse em paz, que já lhe bastou o castigo de te ter aturado!”.

Como disse alguém: “a primavera sempre chega na vida de todos nós”.

E que os 11 canalhas, cínicos, ou burros e cobardes de circunstância que concordaram com esse miserável texto, convivam alegremente uns … com os outros, porque deles é a divina Glória de Deus nosso Senhor.




Contribuíste com a tua assinatura para roubar a tua professora e Madrinha. E ainda escreves estas 

coisas?

Pretendes o quê?

Respeitabilidade publica?

Há muito que não a tens e precisas dela. Já eu? Não tenho necessidade de nada pá.

Só desejo acabar todos os dias de mãos dadas com a mulher que amo.

Poderás tu dizer ou querer o mesmo?

Nunca mais metas a minha mãe ou qualquer dos meus mortos nas tuas prosas ridículas para te 

enalteceres a ti próprio.

Usa alguns dos teus vivos, se fores capaz. A começar pelos teus pais, pela tua mulher, pelo teu irmão e 

pela tua filha mais nova.

Difícil exercício.

Não será?


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