António.



Passei mais uma tarde com o António.

Tem sido recorrente, porque estamos a chegar ao fim dos nossos afazeres com as obras que faltam com as coisas da Vieira.

Levei o puto a casa e parei o carro à porta. Despede-se como sempre: “até amanhã Ruizinho”, só lhe disse: “quantas foram as vezes em que te deixei aqui, arranquei depressa e fui chorar sem fazer barulho para qualquer lado aqui perto sem ninguém ver?”

“Estamos a terminar. Está tudo pronto velhote.”

Regressei à Nazaré com essa frase na cabeça.

“Está tudo pronto.”

E está.

Falta apenas os tribunais entregarem uma chave. Nada mais que isso.

Coisa pouca.

Amanhã, voltaremos. 

A claraboia do prédio, pinturas nas paredes da casa velha, calhas para tapar fios, tirar medidas a uma montra e pouco mais.

Foram meses intensos, como difíceis e complicados para tanta e tanta gente no concelho da Marinha Grande.

Tá a chegar o tempo de finalmente descansar, tal como os barcos que após uma imensa tempestade regressam ao estaleiro para reparações.

É assim que estamos todos.

.../...

Em outubro, Madrid eu e a Helena uma semana.

Novembro, o meu PR, 22 incluído no 1º Festival Literário da Nazaré com o Paulo Lameiro, a Alexandra Lencastre, o Alfredo João, o Fernando Amado e a Helena Godinho.

Em dezembro, uma simbólica homenagem da Câmara Municipal à nossa tia Helena Branca na parede da nossa Casa centenária.

Que melhor último trimestre poderíamos nós sonhar para 2026? O ano que nos fez chorar a todos,  desgraçadamente, desde o dia 28 de janeiro.

Que maravilhosa é a Vida.

Haja quem assim a compreenda!

Arrisco-me a dizer: "quase ninguém, porque quase todos teimam em deter o olhar apenas para o lado mais negro que a vida, ela própria, também tem". 

Opções.

Não foram as nossas, por maior sofrimento pelo qual tenhamos passado.

E passámos!


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