Corvina fresca grelhada com arroz de grelos.


 






Hoje tive por cá o António e a Leonor.

Este ‘estabelecimento comercial’ como sempre digo tem

tido muitos clientes.

Corvina fresca grelhada com arroz de grelos, entre outras coisas.

Bons brancos para desconforto dos azedos da vida.

Almoço muito divertido, como todos têm sido, neste espaço este verão.

Ser Feliz não é um privilégio, é um estado de espírito.

Caso todos estivéssemos nesta perspetiva, tudo seria diferente.

Há é sempre mentes inteligentes e disruptivas que tudo tentam estragar, porque sempre se encontram à procura de uma ou diversas explicações para nada ser como apenas é, quando afinal tudo é tão simples e claro como um amanhecer.

Os miúdos foram-se embora pelas cinco.  Já eu e o Zé ficámos pelo terraço com música da melhor a olhar para o mar, agarrados ao nosso ‘paredão’ que nos deu 30 anos de sofrimentos vários e ‘trabalhos forçados’.

Fomos ficando.

Sempre os dois.

Deslumbrados.

Lá pelas sete, começam a passar alguns nazarenos com sacos cheios de peixe, a pé, na marginal.

O Zé começa a negociar com cada um deles.

Aparece o César, com dois sacos azuis, carregado e cansado de mais de 15 horas de trabalho no mar.

“Áh César, o que é que levas aí?”

“1 robalo, dois sargos, santolas e ‘arraias’”

“anda cá cima, beber uma mini”.

“Vem tu cá baixo.”

“anda lá Rui e na mostres a caixa de 'esferovite' pá gente levar o pêxe. Aprende. E deixa-te tár calado, que tu na sabes negociar nada.”

O César não queria mostrar o robalo nem os sargos porque já tinha cliente certo. Era ‘A Adélia’.

Começaram o regateio.

Só dei que no fim o Zé 'arrematou' quase tudo e eis quando passa um ‘paleque’, com uma barriga tipo 'Zé da Tina', que queria saber o que sobrou. Eram duas raias.

O César pede-lhe 40 € pelas raias. Ele regateia. Ficam em 35.

Vínhamos os três no elevador e eu só lhe disse: “aquilo estava vendido por 40, porque fez mais barato?”

“Atão você na viu? Aquelas arraias na eram como à vossa, távam todas mordidas pelos caranguêjes. Ê na robê o hóme. O sê prime só me vai oferecer uma mini para eu ter de amanhar o vóce pêxe. Este 'gaje' na dá nada a ninguém.”

Fica dito, hoje, foi mais um dia muito Feliz.

Foi o Zé que amanhou tudo, que se lixou, porque um gajo da Vieira não permite que esta exploração do homem pelo homem ganhe estes contornos. Quem bebe uma mini, bebe uma mini. Sempre contrapartidas.

Amanhã há ‘arraia’ frita com açorda pró almôce.

“Éh Ruizinhe, nunca tinhas comprado pêxe sem sair de casa pois não? Aprende co prime!”

'Pôrre', as coisas que eu 'aprende' por aqui!


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