Espelho meu, espelho meu.
O texto do ressabiado.
Depois de ter lido a definição que me foi feita pela Senhora
Secretária da Assembleia de Freguesia de Vieira de Leiria,
“…/…
só não te chamo filho da puta porque a tua falecida mãe não tem culpa
nenhuma do projeto de homem falhado que criou. Que descanse em paz, que já lhe
bastou o castigo de te ter aturado!”,
embora o pai dela o ande a jurar a toda a gente que não foi
dele esta nobre escrita, qual cobarde que sempre foi e que os seus amigos
fingem acreditar, deparei-me comigo a pensar nisto.
E a pensar seriamente.
Ninguém gosta de imaginar a nossa mãe a pensar estas simpáticas
coisas de nós mesmos. Ainda mais de um filho muito desejado e sem irmãos.
Para os pragmáticos da vida, estas coisas têm pouca ou
nenhuma importância. Só que para mim têm e têm muita importância e sempre
terão.
Nem é pelo autor ou autora da frase. É pela frase em si mesma.
Não a vou escalpelizar. Nem tão pouco tecer considerações
acerca de quem a subscreveu ou na realidade escreveu.
Estou-me a cagar para os dois.
O pai até diz que proibiu a mulher e a filha de escrever seja
o que for acerca de mim e que não se mete juridicamente entre mim e o seu
ilustre irmão.
Caguei nisso tudo, porque este tipo de gente e de comentários
não me oferece quaisquer outros qualificativos. Nesta vida, cada um é como é.
Nada a acrescentar.
Nada que um terço bem rezado não resolva.
Não me irei deter obviamente nas qualidades familiares e
curriculares de ninguém. Cada um tem as suas evidentemente.
Existem outras coisas que prezo mais, como a memória, a
sensibilidade e a sensatez.
Há pessoas que por mais desprezíveis que sejam ou pareçam ser
têm sempre desculpa vindas de quem menos esperamos.
Há sempre sinistras formas de ser e de estar nesta vida.
Já vivi alguns momentos ‘estranhos e difíceis’.
É verdade.
Não os vou descrever. Seria fastidioso.
Quando estive internado no hospital de Leiria tive duas
visitas.
E quando regressei a casa, tive uma, que me tinha ido ver ao
hospital.
Nunca contei isto, como nunca contei muita coisa.
Era quando o ‘Largo das Calhandrices’ do António José
Ferreira e do Mário Nuno Francisco repassou os meus textos (mentalmente
perturbados) aos vereadores a exigir a minha demissão da TUMG. E o Dr. António
Santos, mesmo que eu regressasse do internamento bem se recusou a viabilizar a
minha recondução na TUMG.
Coisas da política e da imagem.
Esse ilustre candidato a presidente de Câmara pelo PSD.
Eu tinha 43 anos e fiquei aniquilado até hoje, após ter feito
um excelente trabalho nessa empresa municipal.
Com os comunistas nunca contava.
Mas, o ‘Largo das Calhandrices’ tinha feito o seu trabalho.
Vi-me reformado por invalidez e foi a melhor coisa que me
aconteceu até hoje, apesar de tudo o que passei depois disso.
Não interessa.
Já lá vai.
E foi muito.
Muito mesmo.
Tudo ultrapassei, mesmo o facto de só ter tido uma visita em
casa. Constantemente.
Paulo Vicente de seu nome.
Um dia houve, nas eleições seguintes em que recebo um
telefonema do Álvaro Pereira na véspera da sua posse do segundo mandato a
pedir-me para lhe escrever o discurso. Que seria difícil porque a situação
política era muito complicada, porque era o Mpm de um lado, o PSD e o +C do
outro.
O PS estava em posição extremamente complicada.
Disse-lhe para vir a minha casa no fim do dia.
Entrego-lhe o speech, leu atentamente. Concordou com tudo. E
só me diz: “está muito bem, era mesmo isto que eu queria”.
Nessa altura não havia subsídio de desemprego como agora existe
para o engº Aurélio. Eu pergunto se havia algum trabalho na Câmara para mim.
A resposta que obtive foi, e nunca me esquecerei dela: “mas
como está a tua cabeça? O teu médico diz o quê?”
Respondo-lhe que me tinha dito que só me faltava arranjar
trabalho.
E remato, “é estranho, se sirvo para te escrever este
discurso tão difícil, parece-me que a minha cabeça não assim tão mal!”
Passados quinze dias, aparece o dr. Nélson Araújo como
adjunto para gost writer. Reformei-me por falta de alternativa e fiquei anos
sem falar com algumas pessoas dentro do PSMG.
Quando o Álvaro Pereira morreu, ninguém houve que dele se
tivesse lembrado senão eu!
Onde estavam todos esses escroques no seu funeral?
Digo isto porque ontem fui confrontado com uma frase do maior
narcisista que alguma vez foi presidente de Câmara da Marinha Grande. Um homem
que se dá a ares e tudo deve aos outros e com quem tive, contra todos os
conselhos de muita gente a tentar escrever a sua biografia, Álvaro Neto Órfão,
de seu nome.
Cortei com esse senhor no dia em que me telefonou por me
repreender num telefonema por um post que tinha escrito acerca da sua protegida
Cristina Simões.
A mim, ninguém me dá ditames, nem ordens, nem reparos. Nunca
andei no seminário, nem na tropa.
Cortei na hora.
Agora parece que quer que lhe devolva um livreco que me
emprestou com 6 páginas escritas pela Alice Marques acerca dele próprio.
Nada mais natural vinda de uma pessoa que se tem em elevado
conceito.
No fim disseram-me: “o gajo não te pode ver”
Eu não digo o mesmo acerca dele.
Sem os outros, e muitos foram, esse Presidente nunca teria
sido ninguém. Mas isso ele nunca assumirá, como qualquer homem vulgar submerso
na sua imensa vaidade.
Agradeço-lhe ter ido ao funeral da minha tia.
Nada mais.
E que fique descansado que lhe devolvo o livro a falar dele.
Para reler pela milésima vez alguém a dizer bem dele próprio.
“espelho meu, espelho meu, haverá algum Presidente da Câmara
da Marinha Grande Melhor que eu?”



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