Barbeiros e Canas de Pesca.
O meu primo Zé recomendou-me um barbeiro e explicou-me, mais
ou menos onde ficava. Lá fui hoje, depois de almoço, às ‘apalpadelas’. Encontro
uma loja de artigos de pesca e pergunto ao dono se era perto. “É ali, tá a ver
aquele prédio? É a sul”, que é como quem diz em frente. Perguntei se cortava
bem. Obtive como resposta: “corta, corta e é tudo à tesoura.”
Esta gente usa umas expressões engraçadas.
Entrei e era uma barbearia do escafandro. Moderna. Mas, só
por marcação e tínhamos de deixar tudo pré-pago. “há muita gente que marca e
depois não aparece. Deixe-me aqui o seu nº de telemóvel e até amanhã às 15.30 h.”
14 páus.
Na volta, perguntei ao senhor da loja se tinha isco para a
pesca.
Telefonei ao António que agora tem uma cana e nunca fez um
lançamento: “queres vir à pesca comigo?”
“Para a semana vamos os dois, só que não sabemos fazer nada.”, disse o puto.
Respondi-lhe: “não te importes, que isto de pescar é como
fazer sopa. Ou somos bons à primeira ou estamos desgraçados. Caso não pesquemos
nada, vendes as canas no OLX.”
Lá iremos os dois para a praia do sul na semana que vem.
Eu até sou bom a fazer sopas, desde a primeira que fiz no
tempo do COVID.
Pode ser que também tenha talento para a pesca.
Já a Helena quando viu a minha cana, vermelha, com um carreto
de carbono, desejou que tenha sorte.
“vai, vai, que eu preciso de silêncio.”
As coisas que um gajo ouve.



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