As Marquises.
Hoje passei a tarde com o António. Muito gosto eu de
conversar com aquele puto. Muito inteligente, divertido, discreto e sensato é aquele rapaz.
Não faz nenhuma cerimónia na discórdia. E, é importante dizer, discorda sempre comigo com a mesma coisa. A exposição pública das minhas ideias ou indignações.
Somos completamente
diferentes e, talvez por isso, nos damos na perfeição.
Ontem foi à sua praia com a mãe, o irmão o tio e a avó. Viu,
como eu vi, os célebres murais da ADPV e leu o texto que deixei escrito acerca
da estética dos mesmos.
Disse que tinha gostado da ‘sardinha’. Expliquei-lhe que
também tinha gostado e que tinha sido um artista de Lisboa que ofereceu o seu
trabalho à praia.
Mas, sinceramente o que achei mais divertido foi a sua frase:
“porque perdes a paciência com coisas menores? Eu, se fosse como tu, não conseguia
dormir se pensasse nas ‘marquises’ que fizeram e fazem nos prédios deste país.
Nem consigo olhar para elas porque me repugnam, só que, nem as comento nem
perco o sono e a paciência. É um dado adquirido. Ponto final.
O que deveria estar na praia da Vieira era um mural do Vhils. Viste o
que ele fez do Saramago?”
E depois o megalómano sou eu!
Ficou desta conversa apenas que de pouco ou nada
serve preocuparmo-nos com as ‘marquises’ desta vida.
Isto de ´marquises' vale para gente, para coisas, circunstâncias e outras cenas.
Miseráveis e repugnantes todas elas.



Comentários
Enviar um comentário