Aos mortos.



Gosto pouco de falar de mortos.

Tenho-os apenas por gente que passou para o outro lado.

Estão por isso, mais adiantados que nós.

‘Apenas’ isso.

Há, no entanto, quem nunca se lembre que chegará a essa forma.

Estranha gente.

Nunca entendi essa espécie.

Normalmente, ‘acumuladores’ de coisas enquanto estão vivos. Ou para ficar, ou para deixar ou ainda para se glorificarem de o terem feito ou conseguido.

Uns merdas.

Todos uns merdas, porque foi esse o seu único propósito.

Muitas horas estive eu a conversar com uma mulher rica hoje.

Rica por ser quem é e por ser tudo o que a espera, em termos materiais.

Maravilhosa e louca conversa tive eu hoje.

No que depender de mim, nunca, por nunca, ficarás sozinha, como sozinha tens estado.

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