António Alçada Batista.



Advogado, editor e escritor português.

Li todos os seus livros. Alguns, mais que uma vez. Nos meus vinte, trinta anos., quando comprava o Jornal de Letras quinzenalmente em Lisboa.

Um dia, encontrei-o a descer a avenida da Liberdade e foi como se tivesse tido uma epifania. Pedi-lhe um autógrafo nos meus apontamentos de económicas.

Foi frio e distante.

Odiei a atitude e fiquei triste com esse comportamento de vedeta, pensei eu na altura. Só que, deve ser extremamente extenuante depararmo-nos com estranhos que falam connosco como se nos conhecessem ou tivessem conhecido desde sempre.

Só anos mais tarde entendi essa espécie de ‘enfado’ com esse autógrafo.

Filho família, com tias e pais ricos, que o deixaram bem herdado, como uma vez ouvi na Vieirinha de merda, quando o elogiava numa taberna qualquer.

Certa vez li numa entrevista que concedeu ao Expresso: “eu sempre fui um advogado fraco. Exerci ou tentei exercer a profissão, mas via ou tentava ver sempre o bocadinho de razão na parte contrária”.

Católico, casado, com 5 filhos.

Divorciou-se quando isso ainda era um pecado capital e estabeleceu-se como editor e escritor.

Muitas mulheres amou.

Muitos livros escreveu.

Homem livre, sofrido, pelas suas escolhas e caminhos traçados.

Conquistou Amigos para a Vida dentro desse ambiente da cultura, da “indecência” e da falta de virtudes consensuais de bafiento e sinistro pendor católico.

Amigo pessoal de, entre muitos outros, Jorge Amado, Raúl Solnado e Mário Soares.

Um dia propôs que a letra do Hino Nacional fosse modificada.

Heresia das heresias para a populaça. Foi numa comemoração do 10 de Junho a que presidiu a pedido do Presidente Soares.

A história deste escritor fascina-me.

Ainda o ano passado ofereci um velho livro dele ao filho da Helena no dia do seu aniversário. “O Riso de Deus”. O Alçada era profundamente católico e as suas opções de vida sempre o fizeram sofrer e pensar imenso.

Quando olho para certos advogados que mantêm a mesma compostura feroz, consoante quem estão a defender (seja uma parte ou a oposta), lembro-me sempre deste triste advogado. Foi feito Oficial da Ordem Militar de Sant’ Iago da Espada a 3 de Agosto de 1983 e agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo a 4 de Janeiro de 1996. Foi também homenageado pela câmara municipal da Covilhã ao lhe ser atribuída a Medalha de mérito municipal, no ano de 1999.

Notável e insubstituível escritor.

Há tanta gente nessa nobre profissão de advogar que nunca o leu.

Deveria ter lido.

Quanto mais não seja para entender que a vida não se reduz a hipocrisias materiais, plenas de certezas de atitudes validades pela Fé na Cruz e nas virtudes públicas.

Lembrei-me da vida de um homem que sempre se soube colocar na 'plataforma', como se diz agora, dos outros, como o meu pai sempre foi. 

Toda a gente sabe que venero a memória do meu velhote.

Foi senhorio e inquilino toda vida, o meu pai.

Quando a BP vendeu os seus postos de abastecimento à AGIP, a renda paga à Comissão Fabriqueira da Vieira era de 1.200 escudos/mês. 

Uma coisa ridícula. Por influência do inquilino, passou a ser de vinte contos/mês. 

Há 30 anos!

O Senhor Fitas Custódio é testemunha deste facto.

Foi o meu pai que o conseguiu. O representante do inquilino. Agora vai quase nos 700 €/mês (com as atualizações legais), sem quaisquer contrapartidas comerciais, há anos e anos. 

As dificuldades agora criadas pela parte do senhorio serão sabidas oportunamente, apenas para prolongar esta forma parasita de ganhar dinheiro a favor da Santa Madre Igreja da Vieira.

As circunstâncias são outras.

E os protagonistas também.

Deus seja louvado! 

Lembram-se dos vendilhões do Templo?

Esta gente não se lembra de nada.

E a carneirada, vai toda atrás.

Deus, Nosso Senhor, seja para sempre Louvado, debaixo da 'batuta' de escroques desta natureza. 

Quando o mesmo advogado defende com o mesmo furor senhorios e 

inquilinos, não tem nada a ver com o António Alçada Alçada Baptista.

Interessante ou não é?

PS: 

Recomendo os livros "Peregrinação Interior - Reflexões sobre Deus" do 

Alçada, evidentemente. O filho família e triste advogado.

Talvez, um projecto falhado da sua mãe.


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