A omissão, a mentira e o cinismo conveniente nunca pagam.



Não há nada pior na nossa vida que enfiar a cabeça na areia. Ou por isto ou por aquilo, todos o fizemos alguma vez.

Para nos protegermos.

Para manter relações.

Ou ainda e recorrentemente por mera cobardia.

Não há nada mais pernicioso que isso!

Simplesmente porque essas circunstâncias enterradas voltam sempre. Tudo o que procuramos esconder de nós próprios, mais cedo que mais tarde regressa.

E, nessa altura, explodimos.

Por vezes, com algum nojo até de nós mesmos, pela enorme cobardia de não termos sabido enfrentar as circunstâncias.

No tempo certo.

Pagamos sempre tudo isso com enormes juros.

Paguei-os.

E vou, nos próximos tempos continuar a pagar.

Abençoada seja a minha tia Helena Branca, que nunca os pagou.

Só numa tarde … e carregada de morfina para gáudio de quem a ouviu.

Já eu fugi porta fora, nessa tarde, a chorar.

Com pena da vida.

Apenas isso.

Com pena da vida.

E de mim, claro.

Dela não.

Estava a alucinar, poucas semanas antes de ter morrido e pediu perdão de uma culpa que nunca foi dela, porque sempre esteve certa. E eu sempre o soube e, fingi, convenientemente não saber.

Nesta altura da minha vida prefiro que me chames ingrato a canalha, porque isso não sou!

E ingrato também não.

Feliz Aniversário é o que te desejo hoje.

E basta.


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