A importância de pedir perdão.
Há direitos elementares com que todos nascemos.
O direito ao erro e a cometer a injustiça é um deles.
Por outro lado, existe um dever que,
caso tivéssemos coragem suficiente e humildade em abundância, deveríamos igualmente possuir.
O dever de considerar o erro e pedir desculpa a quem a devemos.
Ontem à noite fiz as pazes com o Ruben. Cabral para os mais íntimos.
Fui profundamente injusto para um miúdo que sempre admirei e
com quem fui construindo uma estranha relação de cumplicidades diversas.
O António, seu quase irmão, costuma dizer que somos muito parecidos.
Fervemos em muito pouca água e atiramo-nos de cabeça a tudo aquilo em que
acreditamos, com uma paixão tão invulgar quanto perigosa.
Apareceu-me hoje na Nazaré, estava eu a levar o lixo, depois
de almoço.
Parece que tinha encomendado à medida o seu novo traje para
dançar no Rancho Folclórico Peixeiras da Vieira.
Conheço bem a loja. Linda, antiga, com fazendas, lãs, chitas
de Alcobaça e diversos artigos regionais.
Muito nos divertimos por lá os dois.
Dizia-me que não podia comprar tudo de uma assentada. Ficou a
faltar o barrete e a cinta.
Enfie-lhe o barrete e dei-lhe a cinta. É assim que se vai
apresentar no próximo Festival de Folclore da BIP no sábado. Tudo a estrear.
Fechei a minha página de Facebook a todos aqueles que não
fazem parte dos meus amigos 'facebookianos'. Reduzi drasticamente o seu nº. No
entanto, a quantidade de leitores do ‘Praça da República, 22’ quase decuplicou
depois disso.
Estranho.
Disse-me que recebeu inúmeras mensagens, algumas delas de
pessoas que nem sei quem são a perguntar se o texto que eu tinha escrito se
dirigia a ele.
A esses, todos esses, importa dizer que entreguei 1/3 da minha vida de quase 60 anos à Biblioteca de Instrução Popular. Colaborei intensamente, após a minha saída, com algumas iniciativas que reporto de algum relevo. Evidentemente que nada me move contra essa Instituição.
Rigorosamente
nada.
Nem poderia.
Não tenho comentários negativos a esta Direcção em geral nem
à sua Presidente em particular.
Estão a fazer um bom trabalho. Há anos que o fazem.
Se gostava de ver o Cabral por lá? Gostava! Porque aporta uma enorme mais
valia. E porque gosto do miúdo evidentemente.
Apresento, neste mesmo espaço as minhas mais sinceras
desculpas públicas ao Ruben. Por vezes um tipo excede-se.
Não me envergonha esse excesso, até porque a única forma de
vergonha que um homem deve sentir é no momento em que não for capaz de olhar
nos olhos dos seus filhos, da mulher que ama ou de qualquer dos seus Amigos.
Abraço puto.
Serve essa nobre Casa.
Se te deixarem.



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