Vieira. 41 anos de vila.

 


Às vezes penso que a morte assusta toda a gente.

Estranha forma de se ser. A de quase toda a gente evidentemente, porque a morte faz parte da vida. Andam sempre as duas de mãos dadas.

No meu quinto ano de economia, o meu professor de Economia Monetária 2, uma das cadeiras mais difíceis de todo o curso. ‘Econométricas’. Era em simultâneo, vice-presidente do Instituto de Seguros de Portugal, o que significava, para as Seguradoras, o mesmo que o Banco de Portugal para os Bancos, disse-nos, a despropósito, numa aula bastante ‘econométrica’ o seguinte: “a primeira coisa que sentimos quando um filho nos nasce, é que um dia aquele ser irá morrer”.

Nada mais verdadeiro e brutalmente chocante e até cruel.

Ontem tive a maravilhosa surpresa dos meus filhos me terem aparecido ao fim do dia na Nazaré. Os dois para jantar, outro para dormir.

Apareceram, não sem antes terem verificado o estado das nossas coisas na Vieira.

Para mim, nada de novo, porque o espectável.

Nada mais que isso.

Mais lixo, menos lixo nas nossas coisas.

O costume.

Vieram ambos ter comigo e isso é que conta, porque o lixo resolve-se sempre. Basta, por vezes uma vassoura.

Não sei como correu o debate dos jovens vieirenses sobre o seu futuro, enquadrado nas comemorações do 41º Aniversário da elevação da aldeia da Viera a vila. Isso não sei. Só vi as fotos.

Folgo em saber que há putos inteligentes e interessados em pensar o futuro da sua terra.

Senti, confesso, alguma nostalgia. Já fui como eles. Há talvez 40 anos atrás.

Bela iniciativa a da nossa Junta, porque a garotada tem mérito, pensamento e inteligência.

Pelas fotos vistas, casa cheia!

Parabéns.

Mas, fica no entanto, aquela frase do meu professor de Economia Monetária 2 do quinto ano: “a única coisa que sabemos quando um filho nasce é que um dia irá morrer”.

Oxalá esta terra, com cerca de 700 anos renasça nas mãos desta gente, que a pensa, sente, sofre e deseja melhor.

Obrigado putos.

O Futuro é vosso!


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