Veneno.
Quando as traineiras estão a sair lentamente, como agora,
por vezes lembro-me de certas coisas da minha terra. Coisas antigas e lentas
também.
Há mais de 30 anos havia duas pessoas que ajudavam a
legalizar terrenos e fazer partilhas.
Um era o Senhor Joaquim dos Santos Pedro, da Passagem e
membro da Junta de Freguesia.
Outro era o Rogério Reis.
Ambos não tinham ‘capacidade tecnológica’, digamos assim,
para essas funções.
O recém vereador da Câmara da Marinha Grande, dr. João Paulo
Pedrosa chamou um dia à sede da Junta de Freguesia o Rogério apenas para o
informar que não deveria continuar com esse trabalho.
Evidentemente que procedeu em conformidade com um pedido do
advogadeco da paróquia, que em princípio de vida, tudo lhe valia para ganhar
uns cobres e a concorrência o perturbava. Não quis perturbar o Senhor Joaquim Santos, porque do establishement fazia parte, evidentemente. Até lhe chamava, na brincadeira, "o meu colega", como bastas vezes ouvi.
Anos volvidos, soube deste episódio e só retive do Rogério: “se eu fosse
advogado estaria desejoso por defender quem de defesa necessitasse e não
agarrar-me a essas coisitas menores.”
A vida passa e o Rogério licenciou-se em Solicitadoria.
Para tristeza de muitos.
Nem o nono ano tinha quando iniciou esse desiderato.
O sucesso dos outros para quase todos é uma enorme chatice.
Enquanto isso, educou o António e o João no IDV.
É Padrinho do meu mais novo.
É sem qualquer dúvida o meu melhor e maior Amigo e vem
almoçar cá a casa no sábado com toda a sua família.
Arroz de tamboril.
Estreia o toldo e a mesa.
Haverá alguma coisa melhor que isto?
Não, me parece!
Esta escultura chama-se 'Sócrates e a verticalidade".



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