Piscinas de São Pedro de Moel.
Nunca escrevi sobre São Pedro de Moel.
Para um pexino como eu e como todos os vieirenses, porque
assim somos há séculos conhecidos e reconhecidos, falar da praia de São Pedro é
sempre um misto de reverência e de ausência de ‘casta’.
São Pedro, uma das mais belas praias de Portugal só pede, há
décadas, uma coisa: “não mexam, porque podem estragar”.
Nos meus tempos de presidente da BIP, fizemos uma agenda
cultural bastante ambiciosa. Nunca antes concebida em mais de 70 anos de vida
daquela associação. Um misto constante de múltiplas atividades culturais em
diversos palcos vieirenses. Teatro, música, dança, exposições, conferências,
folclore, edição e lançamento de livros, workshops, etc. Ininterruptamente. De
entrada livre.
Com isso, conseguimos a atenção de muita gente dentro e fora
da Vieira.
No jantar de aniversário da Biblioteca de Instrução Popular,
com cerca de 400 pessoas fizemos a apresentação dessa ‘agenda cultural’ com a
oferta de uma brochura a todos os cerca de 900 sócios, cujo lema foi “A BIP AMA
a Cultura”.
Pensámos realizar esse evento em São Pedro, por forma a
mostrar que o nosso alcance e ambição era todo o concelho da Marinha e não os
limites da nossa freguesia.
Passado um ano, prestamos contas, no mesmo hotel e na mesma
praia.
Tudo cumprido.
Tudo menos a palavra do município que tinha decidido apoiar
esse enorme conjunto de eventos com um ‘alto patrocínio’. Em ano de eleições,
cumpre dizer.
Ficámos ou neste caso, fiquei eu, com o prejuízo a meu cargo,
porque sempre pensei e continuo a pensar que as más decisões de gestão devem
responsabilizar quem as toma. E fui eu que acreditei num acordo de aperto de
mão com o então presidente da autarquia.
Digo isto, porque me refiro à praia de São Pedro de Moel e
aos responsáveis por decisões graves e falências evitáveis.
Hoje aparece escrito e ampliado nas redes um comunicado do
+Mpm sobre as piscinas de São Pedro, verdadeiro ícone daquela praia.
Nunca ninguém, em 20 anos se refere ao óbvio. Quem deixou falir esse projeto?
Que nomes são esses que nunca aparecem? Ilustres marinhenses que permitiram transformar aquelas piscinas num cenário parecido com a atual cidade de Beirute?
Não têm nome, assinatura e visibilidade publica?
Têm!
Aparece, após isso, o Messias Aurélio Ferreira que em
campanha eleitoral, cujas eleições vence, com um cartaz em que dizia que em 30
dias resolveria esse problema, como se fosse um tema que à autarquia dissesse
respeito.
Volvidos 4 anos da sua miraculosa e inesquecível gestão já é
a 4ª vez que faz perguntas ao atual executivo sobre o estado da aprovação de
um projeto privado de manifesto interesse imobiliário, que nada tem a ver
com a história daquele espaço.
O Grupo Oliveiras agradece certamente tanto e tão manifesto
empenho.
A pergunta que resta é apenas uma:
Após 4 anos de absoluta inércia governativa, esta pressa
deve-se a quê?
Será que os interesses privados se devem sobrepor aos
interesses públicos, numa das praias mais belas do país?
Como sempre, importa ler a história e os reais fundamentos da
construção daquele complexo turístico.
Será que o engenheiro de materiais Aurélio Ferreira os
conhece?
Quais os verdadeiros interesse$ que defende com este
comunicado?



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