O criador do Frankenstein.
Há estórias engraçadas que nunca contei.
Agora dão-me vontade de rir, porque passaram quase trinta
anos sobre elas. Têm a ver com os purismos da vida e com os puristas de
circunstância.
Quando a BIP fez obras de ampla modernização das suas
instalações, as mesmas encontravam-se orçamentadas em 75.000 €. Tudo visto e
revisto com o arquiteto, empreiteiro e Câmara Municipal. Após a sua conclusão,
mesmo com algumas alterações, ficaram em 220.000 €.
Diferença pouca!
Tivemos, nessa altura muitos materiais oferecidos e donativos
de sócios e empresas, mas ficamos numa situação financeira catastrófica.
Evidentemente que houve, aqui e ali, alguns fornecedores a
quem tínhamos pago sem IVA, quando esse imposto cego era de 17%.
Por essa altura tínhamos um professor universitário de
economia como Presidente do Conselho Fiscal que se opôs veementemente a essa
nossa forma de ‘fugir ao fisco’ e marcou uma reunião com a rapaziada toda da
Direção para nos obrigar a pagar o que era devido ao Estado.
Tratavam-se de 15.000 € de impostos. Naquela altura e com tanta
falta de dinheiro, essa verba fazia enorme diferença.
Podia ter recusado essa sinistra forma de ser desse
Presidente do Conselho Fiscal porque estávamos todos completamente falidos. E poderia
ter dito nessa reunião: “apresentamos as contas, tu limitas-te a dar o teu
parecer negativo e logo vemos se são ou não são aprovadas”.
Não quis arriscar.
Arrisquei eu e mais três sócios e pagamos os 4 o IVA em questão.
Esse catedrático não! Esse tipo de gente nunca arrisca nada.
Só vomitam conceitos.
Apesar do próprio ter feito inúmeras obras clandestinas na
sua própria casa e da sua mulher dar explicações há 20 anos sem passar um
recibo que fosse.
A ‘moralidade’ e a sua exigência são sempre interessantes
quando a mesma moralidade parece cair em cima dos outros.
Melhor dizendo, a hipocrisia no seu estado mais puro.
Hoje, o país debate uma casa de banho e umas obrecas do Ministro
da Administração Interna.
Acho bem.
Que país estranho Portugal.
A pergunta fica: quem criou este estado de coisas?
Lembram-se de Paulo Portas, diretor do jornal ‘O Independente’
quando para tentar responsabilizar a Ministra da Saúde Leonor Beleza fez
diversas manchetes acerca de uma encomenda de sangue onde a mãe da Ministra,
que era alta funcionária do ministério há anos e anos poderia ter sido
responsabilizada por tão sinistra ‘encomenda’?
Foi esse criador de Frankensteins que hoje espalha talento,
isenção e inteligência em todos os domingos que criou todos os Andrés Venturas
desta vida.
Eu quero lá bem saber se o Dr. Luís Neves fez uma casa de
banho em Odemira sem pagar o IVA?
Mas parece que para todos os ‘Bacitas’ desta vida isso é
relevante.
Já Paulo Portas, o puro, nunca respondeu pelo ajuste dos
submarinos que tanta falta fizeram num país falido, na altura em que foram
comprados, a pedido de outro grande estadista de seu nome Durão Barroso.
Cada um à sua escala, sinistras criaturas da pureza, mas estimo bem que vão todos para o caralho que vos
foda!
A quem poderá interessar a demissão de um Ministro competente por causa de uma retrete em Odemira?



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