Há Almoços Grátis.
“O ditado "não há almoços grátis" foi
popularizado pelo economista Milton Friedman na sua obra "There's No
Such Thing as a Free Lunch" (1975).
A expressão explica que toda a escolha acarreta um custo de
oportunidade — ou seja, algo tem de ser pago, feito ou sacrificado para obter
outra coisa”.
Wikipédia.
Considero este conceito genericamente verdadeiro, atendendo
ao estado das coisas, das pessoas e do mundo.
No entanto, amanhã vou estar envolvido numa circunstância
particular que é em si mesma a antítese desta ‘tese’.
A família do meu trisavô aparece na Vieira, há cerca de
duzentos anos, vinda do Alentejo.
Os Teodósios.
Vieram, como tantas, procurar trabalho e sustento. Nas
madeiras. A serrar, comprar e vender pinhais.
Por cá ficaram.
O meu bisavô Jacinto foi ficando. Já o seu irmão foi para a
Galiza com o mesmo propósito.
Gente remediada e de trabalho.
Como tantas outras famílias, com pouca instrução.
O Jacinto por cá ficou, casou e teve 6 filhos.
Enriqueceu com os anos.
Deixou fortuna, 4 filhos homens e duas filhas mulheres.
Não me apetece dizer os nomes das seis Casas hoje espalhadas pelo Porto, Pombal, Guia, Vieira, Peniche e Lisboa.
Muita gente, mesmo muita, já morreu.
Temos, como em todas as famílias ,laços mais chegados com uns que com outros.
É normal que assim seja. A distância e o tempo afastam e
aproximam as pessoas. Sempre assim foi, desde que o mundo é mundo.
Diversas profissões temos todos, diversos percursos, altos e
baixos, sucessos e fracassos, como em todas as famílias. Nada disto é novidade.
Para ninguém.
Amanhã, cinco das seis Casas reúnem-se naquele que será o
nosso quinto almoço em 50 anos.
Hoje, a maioria de nós nem se conhece.
Mas, sentimos um desejo incontornável de partilhar a mesa, o
tempo, o modo e o futuro.
Da única Casa ausente, ouviu-se, entredentes, “almoços há
muitos. Vou ao próximo".
É verdade, almoços e jantares há muitos. Sempre haverá, até
porque as vulgaridades são sempre repetitivas, tal como o acordar em todas as manhãs.
Mas há manhãs diferentes em todas as nossas vidas.
Lá pelas 11.30, no cemitério da Vieira, muitos Teodósios
estarão juntos para depois almoçarmos todos a ver o mar, porque a vida é sempre
muito mais que uma soma de repetições e interesses ou conveniências temporais manifestas.
Seremos cerca de 60, dos 70 que se encontram vivos.
Há qualquer coisa meio mágica nisto tudo ao mesmo tempo.
Porque tanta gente disse presente, não renegando as suas
raízes, a sua história e o seu percurso?
Ouvi hoje que tenho de parar de viver no passado, em estórias de anos para conseguir olhar em frente.
Estranha frase esta.
Quem poderá, em boa verdade, olhar para o futuro caso não tenha
o mínimo respeito pela memória que nos fundou?
Fica a pergunta.
Obrigado queridos primos.
Hoje vai ser um dia muito Feliz, porque com passado, presente e futuro!
Tudo é afinal tão simples.



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