Feiticeira.
Convivo com os Trovante desde a adolescência.
A muitos concertos assisti deles. Logo eu que não sou nada de
grandes ‘ajuntamentos’ de pessoas para ouvir música.
No 10º ano, pelo meu aniversário, foi-me oferecido (na altura
em vinil) um dos maiores álbuns de todos os tempos deste Grupo.
O ‘84’.
Com uma dedicatória da minha namorada da altura.
Estive no Coliseu em Lisboa e em tantos outros recintos onde
se apresentaram.
Penso que ninguém, em boa verdade, esperava a partida do Luís
Represas.
Ninguém.
No dia da sua morte muitas manifestações de tristeza absoluta
proliferaram nas redes.
Muito voyeurismo televisivo, muita notícia, como se a dor da sua
ausência não fosse bastante.
Arrisco-me a dizer que tanta e tanta gente que nunca lhe
ouviu a voz ou a menosprezou, tendo-a enaltecendo agora com abundância de
qualificativos. É sempre assim, quando alguém parte.
Nada de novo, portanto.
Poderia tentar escrever alguma coisa íntima como a
importância de uma letra, de uma música ou de uma coisa e outra. Poder podia.
Até porque marcou a minha geração e a que se lhe seguiu.
Destaco esta, porque tive de chegar aos 53 anos para entender
tudo o que encerrava.
Obrigado Represas.
Obrigado Helena, que me mostraste o seu verdadeiro
significado.
Vai lá Luís.
Vai.
Sobe ao céu, por onde, de uma forma ou de outra sempre andaste, não
tivesses sido sempre uma Alma boa e um enorme e inesquecível músico.



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