Amanhã.


 

Daqui a pouco, mais um almoço nesta casa, onde nunca pensei viver, mas que se encontra sempre repleta de Amigos.

Meus, dos meus filhos e da Helena.

A minha mãe dizia-me que nunca poderia imaginar a tranquilidade que o mar da Nazaré me devolveria. Nunca lhe dei importância, porque a Nazaré sempre me esteve distante.

Era um casebre, com enormes problemas de partilhas por 17 metros quadrados que moralmente sempre pertenceram à minha mãe e à minha tia, mas aos quais os seus irmãos nunca renunciaram. Gente sem valores, nem propósitos. 17 metros quadrados a dividir por mais de vinte primos. Moralmente sem direito a um centímetros que fosse. 

Tem sido a minha cruz lidar com escroques. 

Tanto na Nazaré como na Vieira.

O meu pai sempre os desprezou e deixou a minha mãe sozinha nessas contendas.

Resolvia-as eu, com um murro na mesa e milhares de euros em cima dela.

Resolvido ficou para ‘encanto’ de toda essa sinistra gente e dos seus 

descendentes.

Resolvi.

Passaram mais vinte anos, após os 30 que a minha mãe aguentou.

Hoje vivo por cá, porque fiquei sem casa na Vieira.

Era para ser uma casa de verão transformou-se numa casa de todas as estações.

Amanhã, mais uma vez, casa cheia de vieirenses, nossos Amigos.

Seremos 12 à mesa.

Tudo pronto.

De todas as casas, e já foram algumas onde vivi, nunca fui tão Feliz como nesta.

Talvez porque seja mais seletivo, talvez por estar a metros do mar, talvez por estar resolvido, talvez por serem verdadeiros Amigos aqueles que cruzam a minha porta.

Talvez por tudo isso.

Continuo a dizer que a única mágoa que tenho é a minha mãe nunca ter vivenciado isto.

Resta-me a certeza que lá onde estiver, a tudo assiste e … sorri, como quem diz:

“sempre tive razão”.

Eu, a Nazaré e a Vieira sempre a mesma sina.

Anos e anos de sofrimento.

Resolvi ambos os problemas. 

Para "um projeto de um homem falhado", como escreveu, pela assinatura da 

filha o Rui Rodrigues, já não foi nada mau. Como é que este homenzito é 1º 

Secretário da Doutora Catarina Sarmento e Castro? 

Fica a pergunta! 

Mas o que interessa é que amanhã vai ser um dia muito Feliz, aqui na 

Nazaré, como outros se seguirão na minha nova Casa da Vieira. 

Do R/C ao segundo andar.

Minha e dos meus filhos.

Como sempre digo, a nossa Felicidade, para alguns é tramada.

Nem os meus primos e tios da Nazaré desprezo tanto, porque tenho as minhas hierarquias entre canalhices pá.  

Sabes o que me irrita mais? É que cruzaste esta sagrada porta diversas vezes. Isso é que me chateia pá.

És um merdas. Nunca cá deverias ter estado.

Era na altura em ainda que acreditava no Pai Natal.

A gente vê-se no tribunal da Marinha Grande, porque é para lá que me vais levar.

Com todo o gosto!

Será um dia Feliz, como o de amanhã.


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