Maravilhosa Mãe Tive Eu. Hoje Mais que Nunca.
Houve coisas que sempre soube.
Embora, para mim, nunca tivessem sido verdade.
Com os anos e com a vida, …
Nada dessa ‘verdade’
era verdade.
O tempo vai,
foi,
fica e vai ficando.
Sempre o tempo,
mesmo aquele
que existia antes.
De tudo.
Passei um dia muito feliz hoje.
Era o Aniversário da Helena.
Simples.
Simples e feliz, à exaustão.
Como todos têm sido ao seu lado.
Contudo, uma sombra pairou sempre sobre mim,
como tem pairado nos últimos meses.
Uma sombra coberta de negritude.
De inveja,
De ódio e recalcamentos com muitos anos.
Coisas vindas de fora.
De outra gente.
Do outro lado da Casa.
Nada a ver com aquela nuvem que nos cobriu aos dois, hoje, depois de
almoço com imensa chuva. Nem tu nem eu fugimos dela, porque continuamos de
mãos dadas a caminhar e a levar, felizes, com toda aquela abençoada chuva
inesperada e que durou tanto tempo.
Sempre a caminhar com a mesma paz e tranquilidade de quem
agradece essa bênção inesperada.
Há muitos anos que não sinto ódio.
Por nada nem por ninguém.
Aliás, penso que nunca senti isso.
Resolvi-me, talvez.
Contigo e principalmente através de ti, Helena.
O ódio, os complexos, as frustrações e as invejas não alimentam
ninguém.
Só fortalecem aqueles que alvos deles são, porque nos
fazem muito, mas muito mais fortes.
Raivas?
Sim, isso tenho.
E sempre terei.
O pior que nos pode acontecer na vida é o desrespeito de um
olhar de um filho ou da mulher que amamos.
Não conheço esse olhar.
Nunca conheci o desprezo dos que me amam.
Como nunca o conheci da parte da minha mãe e do meu pai.
Felizmente.
Mas aquele texto, pairou sempre sobre o meu dia, tentando ensombrá-lo,
como um fantasma.
Aqui e ali.
"Só não te chamo
de filho da puta porque a tua falecida mãe não teve culpa nenhuma do
projeto de homem falhado que criou. Que descanse em paz, que já lhe bastou o
castigo de te ter aturado".
Esta consideração escrita a meu respeito perseguiu-me o dia todo. E
foi logo hoje, num dia, como disse, muito feliz.
Nobre Mãe tive eu.
Maravilhosa Mãe tive eu, para que alguém, seja lá quem
tivesse sido, ter escrito esta frase sobre ela e sobre mim.
Continuo sem odiar ninguém, até porque as frases ou, neste
caso, as opiniões, limitam-se a ser o que são.
E esta foi muito para lá dos factos, dos limites, das circunstâncias,
das provas, da decência e dos negócios.
Quem me dera tê-la viva, como tu tens a tua e quem me dera sentir ainda todo o amor e imenso orgulho que sempre teve em mim e por mim.
Tinha de escrever isto, para me desaparecerem os dois para sempre da cabeça.
Obrigado.
Mais uma vez.
Por se terem revelado.
Tu e a tua filha mais nova, de quem usas a assinatura.
Cobardemente.



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