Há mil trezentos e quarenta e seis anos, quando tudo era diferente. Ou talvez não.
Bem sei que devemos partilhar os nossos espaços sagrados com quase
ninguém.
Tive uma vida de quase 60 anos para aprender isso e muito
mais. Sempre fui lento nas minhas mais importantes compreensões. É verdade.
Não lamento, nem nunca lamentarei os meus tempos, mais rápidos,
mais curtos ou, neste caso, mais longos. Bastante longos, porque foram o que
foram e, caso não tenham sido, não me teriam feito o homem que hoje sou.
Nada interessa os sofrimentos que me causaram, com
todas as responsabilidades e ‘culpas’ do meu lado. Nada disso conta agora.
Porque, nesta fase, a única coisa que interessa mesmo é o futuro.
Ainda mais para quem acorda e adormece com o infinito à frente, como,
felizmente tem sido o meu caso.
Nestas coisas, o que nos rodeia revela-se de
uma enorme importância na catalogação de prioridades, escalas e evidentemente de
pessoas que fazem ou deixaram de fazer parte de nós.
Todas as piores que nos aconteceram revelaram-se com o tempo,
as melhores ou piores possibilidades, atendendo às circunstâncias.
De aprender.
De separar o trigo do joio.
De abandonar.
De sair e de entrar.
A 28 de janeiro, caiu tudo em cima de mim. Tal como a muita e
muita gente.
Estava em Leiria e quando a Helena me acordou em pânico, com
o vendaval, aflita, voltei-me para o outro lado e continuei a dormir, como se
nada fosse.
Fui sempre assim.
De manhã fui à Vieira com o João e demorámos horas a chegar.
Pelo caminho fui-me apercebendo da enorme desgraça que se
tinha abatido sobre todos nós.
Entrei na minha casa, no prédio ao lado e rapidamente
constatei que estava tudo irremediavelmente perdido.
Nem uma palavra disse.
Procurei o Rui Rodrigues para irmos ver o Benfica / Real de
Madrid. E lá fomos os 3.
O António tinha dispensado o seu cartão de sócio ao Rui e
ficou a beber imperais nas roulotes.
Grande jogo.
Muitas imperiais bebeu o António à nossa espera. Tantas que
tivemos de parar numa árvore para o rapaz despejar algumas mesmo antes de
chegarmos ao Restelo, onde morava nessa altura. E lá voltámos os três para
casa, sabendo o que nos esperava no outro dia.
Muitas dias e noites me separam agora desse jogo e desse
temporal.
Muita tristeza passou por baixo das pontes de todas as
nossas vidas.
Passei, como tantos e tantos de nós, os piores tempos.
É verdade.
Noites e noites sem dormir. Sem ter conseguido engolir uma
colher de sopa.
Emagreci 15 kg.
Agora tenho quase tudo resolvido.
Voltei a ter fome e sono.
Falta um pormenor, que como todos os pormenores, se limitam a ser detalhes de vida.
Mas o diabo reside sempre nos detalhes.
Neste caso, no ódio, no ressabiamento e na estupidez
indescritível. Não lamento o bilhete para o Benfica/Real que ofereci ao meu
Compadre. Nem isso, nem rigorosamente nada. O que foi, foi! No seu tempo certo.
Agora?
Agora é outra coisa, bem diferente e substantivamente pior,
fria, cruel, dura e para sempre.
Para sempre.
Mas que ninguém nunca possa dizer daqui para a frente que não
procurei, como a semana passada tentei fazer "um péssimo acordo em
vez de uma boa contenda”.
Fica dito.
Tentei.
Prejudicando-me.
Não aceitaram.
Por ódio apenas.
Consola-me apenas o facto que quando pensamos com o coração, a
razão vence sempre.
No fim de tudo, nem tinha de ficar admirado, porque em 60
anos, sempre foi assim.
O ódio e o ressabiamento são poderosos.
Todos sabemos que é
verdade, mas, no fim nunca vencem, porque a razão, a indiferença e até o amor
ganham sempre.
60 anos são anos em demasia.
Já deviam ter entendido isso.
Não me parece ser o caso!
Mais uma vez, volvido mais de meio século, tudo será diferente.
É que são muitos anos e a paciência por vezes, esgota-se.
O advogadito 'Conde de Abranhos' não quer defender os interesses do irmão. Prefere fazer-me gastar mais dinheiro sabendo que irei ganhar, sabendo antecipadamente que o irmão não irá receber um cêntimo meu.
Opções.
Fica dito.
Nesta altura, tal como lhe disse em tempo oportuno, há meses, "tenho tempo e dinheiro para tudo isso".
A corda, como todos sabemos, parte sempre pela parte mais fraca.
Coitado de ti Nuno com tão nobres conselheiros!
Já é a segunda vez, como me disseste a semana passada.
Fica dito e fica escrito. Muitos anos antes do fim.
Tenho tempo.
Já tu?
Tens milhares de euros para pagar de uma "doação" que te fizeram porque rasgaste a tua palavra com o aperto de mão que me deste há 23 anos, para poupares 40 contos/mês e, depois disso e agora, ficaste com uma nova divida ao teu paizinho, que te fez agora para montares o teu novo e definitivo estabelecimento.
Que sorte a tua!
Já viste?
Eu sei que viste.
Mas nunca aprendes, porque o ódio, a inveja, o ressabiamento e a espertice
sempre tomaram conta de ti.
Desde que nasceste.
Que sinistra família.
Um é judeu, outro um hipócrita, beato e narcisista. Já tu, um vulgar triste. O
informático, nem conta para o totobola, mas assinou aquela sinistra doação.
Lembram-se?
Essa triste estória que vos revela, será publicada, documento a documento,
do primeiro ao último, para que todos os milhares que me visitam neste
espaço saibam quem são e sempre foram.
E, quando estiveres a presidir a Assembleias Gerais na Vieira Rui Rodrigues,
antes de te sentares pensa sempre que toda a gente leu o que fizeste ao teu
Padrinho, por 40 contos de reis/mês. E de todas as vezes que pegares na
'batuta' para regeres um coro de desafinados, lembra-te: "não prestas para
nada".
Como fui eu capaz de tudo ter posto atrás das costas em nome de uma
infância feliz?



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