Casamentos.

 


Já me casei algumas vezes.

Muitas mais estive perdidamente apaixonado, desde os quinze anos, quando vi a minha primeira namorada completamente nua. Uma visão completamente inesquecível.

Sempre fui um pinga amor.

Nestas coisas, sempre adorei formalismos.

Casar-me é um deles, mas essa opção acarreta imenso trabalho. Papéis para aqui e para ali e quando as coisas se desfazem ou por isto ou por aquilo, e com todos os incomensuráveis sofrimentos, volta a ser, papéis para aqui e papéis para ali. Uma chatice! E o sofrimento continua sempre, com anos e anos de luto.

Não sei quantas vezes pedi a Helena em casamento.

É pá gosto de me casar, porque tal como dizia o Vinícius que se casou 9 vezes: “que seja eterno enquanto dure”.

Sempre recusou.

E recusa.

Entendo isso e resolvi adotar outra estratégia. Simbólica e sem burocracias desnecessárias. Comprei umas alianças de casamento com nomes e datas e escolhi o momento certo. Só que isso exigiu da minha parte um longo processo de preparação.

Consegui trocar alianças, sem testemunhas, sem nada. Só me enganei no número do dedo dela que afinal não era tão pequenino e teve de ser trocada.

O engraçado em toda esta história é que para quem olha, ou acha um disparate ou pensa que casamos mesmo, só porque trazemos alianças a sério no anelar esquerdo que, como toda a gente deveria saber é o único dedo que tem uma veia direta ao coração.

Antes disso tinha-lhe oferecido um anel de pedido, que ela aceitou logo e achou lindo, mas recusou casar-se. As mulheres são seres estranhos.

O que um gajo com 57 anos, impaciente e meio abrutalhado aguenta por amor?

Lá passaram uns meses.

Agora adoro olhar para a mão esquerda dela.

Basta-me!

Ou melhor, habituei-me, porque sem a proliferação de papéis não é a mesma coisa. Embora dure mais, porque atendendo a tudo o que já vivemos, e foi imenso tem tudo para durar até ao fim dos tempos.

Amo-te muito HI.


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