Avô António. Avó Guilhermina.
Foto de casamento dos meus avós em Sintra.
O primeiro beijo foi na noite de núpcias em Lisboa.
Coisas daqueles tempos.
Em 1919.
E lá veio ela para a Vieira, tinha um café e uma loja de
fazendas à sua espera. Acompanhou-o sempre em todos os seus devaneios na
política, nos negócios, nas imensas agruras da vida e também na felicidade
transbordante de quem sempre soube sonhar e fazer sonhar os outros.
Esteve preso no Governo Civil.
Morreu no dia de todos os Santos, porque sempre colocou os
seus ideais e a sua coragem acima de tudo o resto, mesmo dos interesses da sua
família.
Ia para um Comício em Aveiro, aos 56 anos na candidatura de
Norton de Matos à presidência da República e morreu num acidente de automóvel.
Encontrei há bem pouco uma carta subscrita por imensa gente
que não lhe falava e que dizia assim: "A um Homem honrado que morreu a
defender os seus ideais republicanos. Curvamo-nos perante a sua memória".
Foi a Kristen que me devolveu esses e outros documentos
maravilhosos.
Há assim tanta gente que os possa ter, e, mostrar aos seus
bisnetos com imenso orgulho?
Eu tenho.
E terei sempre.
Não somos socialistas e republicanos de pacotilha.
Não somos!
Nunca o seremos.
Nenhum de nós os quatro.
Os que restam.
Seremos, porque seremos sempre os 'vencidos da vida', como o meu avô e o meu pai também foram.
No final, quem foram os vencidos e os vencedores?
Fica a pergunta.
Viva a República!
Viva a Liberdade!
Morte ao fascismo!
É que essas vitórias são sempre efémeras, porque não perduram no tempo.
São sempre circunstanciais.
E nós, sempre seremos derrotados pela força dos momentos breves. Aqueles que não contam para nada.
Os palcos, as vaidades e a ribalta sempre estarão reservados a outros. Normalmente os que não ficam.
É melhor assim.
Porque esses, nunca ficam!



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