Análises à tiroide.
No dia em que me deram as chaves do apartamento da Nazaré,
que eram 5, fiquei com uma e distribuí as restantes por quatro pessoas.
As primeiras pessoas que cá entraram fui eu e a Lígia (que também tem uma chave), só me
disse: “que pena a Nela nunca cá tenha entrado”.
Não disse nada. Guardo sempre essas mágoas só par mim e para
as minhas emoções mais íntimas. Sofridas. Bastante sofridas mesmo.
Não tinha um eletrodoméstico, nem qualquer mobília. E lá fui
comprando tudo. Com enorme sacrifício e devagar, como gosto de fazer todas as
coisas.
Nunca terei tudo, porque, como sempre digo, quando uma casa se acaba, lá vamos fazendo e construindo tudo o que nunca acaba.
Dezenas de pessoa já por cá passaram momentos muito felizes. Gosto de dizer que esta casa se transformou na ‘Pensão Estrelinha’. Toda a gente de quem gosto ou gostei muito já cá por cá esteve ou estará.
É uma casa feliz.
Nunca tive outra assim.
Como emagreci muitos kg tendo passado de 90 para 68 e já não
podia ouvir os meus filhos e a Helena, telefonei ao Osvaldo. “toda a gente anda
preocupada com o meu emagrecimento, passa-me umas receitas só para ver se ainda
me aguento mais uns anos”. No mesmo dia tinha as requisições.
Muita tralha lá estava prescrita. Até uma análise aos
marcadores da tiroide. Eu sabia lá que tinha tiroide, pensava que isso era uma
coisa de gajas e disse à Guida.
Os resultados apareceram e apesar de tudo, estava mais saudável
que alguma vez tinha estado em muitos anos. Coisa bastante estanha.
Enviei tudo ao Osvaldo e telefonei-lhe: “vê lá tu pá que isto
tá tão bom que até parece que se enganaram na proveta do sangue.
A resposta foi interessante: “provavelmente enganaram-se.
Devia ter sido de uma mulher porque tem os marcadores da tiroide.”
Fiquei fulo com a Guida. Tinha lá ela de quebrar o sigilo do meu desabafo!
Tenho estado sozinho na Nazaré desde quarta. E como comprei
eletrodomésticos baratos, o meu frigorifico tem de ser descongelado. Não me
apetecia sair de casa para ir às compras e tinha 10 salsichas pequeninas
congeladas, três restos de couve lombarda e14 palitos. Resolvi fazer as minhas
maravilhosas salsichas frescas enroladas em couve lombarda. Sobraram-me 4
palitos e muitas folhas de couve.
Ficou a melhor obra-prima que alguma fiz.
Enquanto isto, telefona-me a traidora da Guida a pedir-me para
vir à janela, porque estava com o Osvaldo e a Maria no parque de estacionamento, mesmo em baixo.
Gritei bastante feliz e só lhes perguntei, “estou a acabar de
fazer o jantar, subam”.
“já jantamos!”
Estes são os momentos de maior felicidade que podemos alguma
sonhar ter.
Enviei todo o processo fotográfico de confecção das salsichas para a Helena só para ver
se chega mais cedo amanhã.
Sobraram-me 7.
O que está por cima na imagem são apenas as couves que sobraram, porque as salsichas estão muito bem acamadas por baixo.
Maravilhosas.



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