A eterna delicadeza da insinuação.
Não sabia que tinha nascido no mesmo dia que Donald Trump.
Alguém fez menção a esse facto. Da forma costumeira.
Sabia, no entanto, que quem também nasceu no meu dia foi Che
Guevara. Tal facto não foi mencionado.
O meu pai, por exemplo, nasceu na véspera do aniversário de Hitler.
Não me recordo de alguém ter cometido a indecência de tentar
subliminarmente fazer comparações absurdas.
Gosto bastante de escrever. Nas linhas e nas entrelinhas.
Normalmente e nos últimos tempos, quando me refiro a pessoas,
factos, e circunstâncias opto sempre por dar o nome aos bois.
É sempre mais claro.
Mais simples e mais provocador.
O tempo das delicadezas breves há muito que terminou. Nos
últimos 20 anos, fomos assistindo, um pouco por todo o lado à educação, eivada
de cobardia e frases feitas. Coisas de gente com nível, que diz o mesmo e o seu
contrário, consoante as circunstâncias ou os interesses do momento.
Há muito que não me preocupo com isso, nem com o ridículo que
a tantos serve ou sempre serviu para ‘levar a água ao seu moinho’.
Fica portanto o desafio, se e quando quiserem estraçalhar-me
na praça pública, que o façam. Nada contra mas chamem-me pelo meu nome, como eu
o tenho feito com os outros.
Para isso, é necessário nervo.
Coisa que nunca abundou na maioria dos tristes da vida, que
se prendem com a forma e nunca com o conteúdo.
Foi por isso, que a imagem ganhou novos contornos, de fazer
passar a mentira pela verdade, que criou esta Europa, os EUA decadentes e
podres, uma Federação Russa totalmente mentirosa, uma China carregada de
silêncios e a enriquecer, uma Áustria, uma Polónia, uma Hungria e uma Alemanha
fascistas e um Portugalzinho, como escreveu Alexandre O’Neill.
A imagem tem sido tudo para toda a gente e ainda quase
ninguém percebeu, que esses tempos estão a chegar ao fim, porque a verdade e a
frontalidade, podem demorar muito, mas sempre chegam.
PS:
Quando exultares, os feitos da Santa Madre Igreja na data de 14 Junho não te esqueças desta:
"Lei de 14 de junho de 1532: Durante o reinado de D. João III, foi promulgada uma lei a 14 que tentou estabelecer um acordo com os cristãos-novos, mitigando o rigor da perseguição e permitindo uma Inquisição mais branda".
Por vezes a memória é também ela vesga, Dr. Rui Rodrigues.
Por vezes a memória é vesga, porque faz por ignorar certas misérias do passado glorioso dos representantes da Fé.
Li o teu memorável texto com atraso e por acaso, mas não lhe consegui ficar indiferente.
A última execução ordenada pela Inquisição em Portugal ocorreu a 21 de setembro de 1761. A vítima foi o padre jesuíta Gabriel Malagrida, que foi queimado na fogueira em Lisboa.
Dessas eloquentes memórias não falas tu!
Não foi a 14 de junho, felizmente!
Já não havia 'graças a Deus' o index, que foi eliminado a um 14 de junho qualquer.
O "vazamento das redes", como dizes, permite tudo, até a canalhice dos sublimes da vida.
Como tu.
Um homem Sublime e educadinho, regulamentar e institucional.
Quem serias tu no tempo do fascismo? Fica a pergunta.
Ora aí está um que ainda consta no index da Opus, esse barço execrável da ortodoxia católica, que colaborou com Franco e com Salazar:
"O tempo das verdades plurais acabou. Vivemos no tempo da mentira universal. Nunca se mentiu tanto. Vivemos na mentira,
todos os dias."
José Saramago.



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