58 anos.



Hoje fiz 58 anos.

Juntei 14 pessoas à minha volta. Podiam ter sido algumas mais.

De quase todos ouvi as mesmas críticas, como diariamente ouço da Helena, dos miúdos e da Lígia.

Parece, para eles, que escrevo com um ódio imenso algumas vezes.

Parece, mas tal não é verdade.

Não tenho espaço para tal sentimento. Nem por nada e muito menos por ninguém.

Sou assim apenas. Limito-me a dizer as verdades que sei e da forma como as sinto. Seja por pessoas, por circunstâncias, por mentiras e bastantes omissões.

Desprezo o poder e de quem dele depende.

Desprezo tudo isso.

A hipocrisia, o cinismo a educação e a compostura, por vezes aristocrática, para mim serão, sempre dispensáveis e horrorosas, porque nada acrescentam, nada criam nem nada significam.

Não odeio ninguém, porque não me dou a esse trabalho desgastante de odiar.

Há muita gente, que para mim morreu, com toda a naturalidade do mundo, simplesmente porque não merece um décimo de segundo da minha atenção.

Apenas isso.

Uns porque me foram decepcionando, alguns mesmo por mais de uma vez. 

O que é que eu posso fazer para contrariar evidências e canalhices da vida?

Se resolvo alguma coisa por escrever, como uma vez me disseram “com Napalm”? Rigorosamente nada. Vou sentindo, no entanto, a leveza de ser quem sou e toda a gente ir sabendo isso mesmo.

Quanta gente poderá dizer ou sentir o mesmo de si próprio, neste mundo de hipócritas e de medíocres que, de uma forma ou de outra vão ou desejam tomar conta de nós?

Não digo que esteja nem certo e muito menos errado. Não concluo nenhuma dessas evidências, porque cada um é livre de saber de si e do que escolhe ser.

Hoje tive um dia muito Feliz, com uma mesa cheia de gente que me adora, me critica, com quem já tive enormes contendas e desentendimentos.

Fomos ficando, ao longo do caminho, todos juntos e por isso partilhamos a mesma mesa no mesmo dia que por acaso, é o meu.

Reconstruímos amizades, cimentámo-las, eternizámo-las e convivemos juntos há muitos e muitos anos.

Os Aniversários devem servir, ao menos para isso. Para juntarmos cacos, reconstruirmos velhas cumplicidades baseadas no respeito, na admiração, na franqueza e na mais profunda relação que conseguimos construir, ao longo de uma vida, ... uns com os outros.

Obrigado a vocês todos, que hoje e mais uma vez me fizeram sentir o mais feliz dos homens.

Estar à volta da mesma mesa é, para mim, das coisas mais Sagradas da Vida.

Foi o caso.


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