28 de janeiro num sonho esquisito.



Nunca dei importância a sonhos.

Pelo menos àqueles que todos temos quando estamos a dormir, porque os outros, quando estamos acordados, de uma forma ou de outra, sempre me perseguiram e alguns ainda perseguem. No bom sentido é claro.

Na noite de 26 para 27 de janeiro, a dormir profundamente em Leiria, sonhei uma coisa inexplicavelmente estranha de tão inesperada e absurda.

Estava em cima de uma prancha de surf (logo eu, que nunca me aventurei nessas andanças), deitado de barriga para o ar na maior tranquilidade possível.

Nem ondas existiam. Só uma ligeira brisa refrescante. Nada mais que isso.

De repente a água começou a ficar agitada e obrigou-me a sentar e olhar para todo o lado. É quando vislumbro um enorme muro de água vinda do poente, com dezenas de metros de altura. Rapidamente constatei que estava tramado. Nem valia a pena remar com os braços para tentar chegar à praia. Não havia tempo para isso.

Entro em pânico, sabendo que ia ser engolido por aquele enorme turbilhão de água que avançava à velocidade da luz.

Enquanto isto, verifico que a direção desse enorme ‘muro’ alterou o seu percurso e dirigia-se à praia do norte e por isso não me atingiria de maneira nenhuma.

Já não me consegui voltar a deitar na prancha. Optei por ficar a ver aquele fenómeno brutal da natureza. Violenta, indomável e destrutiva.

A pedra do Guilhim e o forte da Nazaré foram o seu primeiro muro e a praia do norte o seu esteio.

Passado nem menos de 24 horas a desgraça do 28 de janeiro abateu-se sobre todos nós.

Vivi, como todos vivemos, momentos de elevado desespero. Só que esse sonho sempre me perseguiu.

Porque esse muro de água simplesmente não me afundou.

Passados quase 5 meses, ainda me lembro dele.

Não me afundei, simplesmente porque fui poupado a tanta coisa.

Venha lá alguém, entendido nestas matérias que me explique isto.

Só partilhei este sonho ou quase pesadelo com a Helena.

Apeteceu-me agora, a uma semana de se iniciarem as obras do meu prédio, partilhar isto com toda a gente.

Sonho premonitório ou coincidência parva?

Nunca o saberei.


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