Zé Fava.
No dia 3 de maio passado, estava eu na Serra da Estrela com a
Helena, num fim de semana que marquei sem ela saber e a convenci depois a vir
para que pudéssemos descansar tranquilamente, ainda mais para comemorar cinco
anos de uma relação de Amor, cumplicidade, ternura e paixão absolutas.
Fugimos os dois para 'as Casas da Lapa', como um mês antes
tínhamos fugido para a Pousada do Crato.
É o que tenho conseguido fazer para mantermos alguma paz que
a obrigue a sair dos desgastantes dias de trabalho que mantém desde que aceitou
o enorme desafio de ser Chefe de Gabinete do Presidente Paulo Vicente.
Na Serra da Estrela recebo um telefonema só com números no
visor do meu telemóvel.
Detesto atender quem não conheço.
Mas, por qualquer motivo aquele conjunto de números não me
era estranho.
Atendi.
“Tás bom pá?”
Não fazia a menor ideia de quem se tratava e essa voz gozona
foi tirando partido disso e aos poucos foi-se revelando.
Era o Zé Fava.
Não falávamos há mais de 10 anos.
Agora vive em Lisboa.
Foi o primeiro arquiteto a sério que conheci, tinha eu 27
anos.
A Lígia apresentou-me ao Zé, porque lhe tinha dito que nós na
BIP, naquela fase, tínhamos decidido fazer obras de profundas restaurações no
velho edifício. Ele estava a realizar as obras da Biblioteca Municipal da
Marinha nessa altura e a desenhar o projeto da Comunidade Terapêutica da
Provilei em Leiria onde ela era presidente e lançou-lhe o desafio.
O Fava sempre foi um homem divertido e disse-lhe qualquer
coisa como isto: “eu agora estou a adorar reconstruir Bibliotecas, apresenta-me
lá os putos, se eu lhes achar graça, logo se vê”.
Combinámos, eu e o Manel Branco uma reunião seguida de um
petisco no Saramago. Aliás, a reunião foi mesmo durante as moelas, ameijoas,
carne de porco à alentejana e imperiais.
Muitas.
Foram-se embora os dois para Leiria e eu estive a fazer tempo
para telefonar à Lígia só para saber se o Fava nos tinha achado piada.
Achou.
Muito falamos nós há duas semanas, ele em Lisboa eu na Serra
da Estrela.
Disse-lhe que o meu puto do meio estava a acabar o mestrado
em arquitetura.
“onde?”
“Na tua Escola, mas teve em São Paulo seis meses”.
“Éh pá apresenta-me ao puto, tenho um livro para lhe oferecer
e, sendo teu filho não deve ser muito bom da cabeça”.
Hoje ia com os meus filhos para Lisboa onde deixei o António
porque amanhã tem de reunir com o seu orientador de tese e perguntei-lhe se
queria conhecer o Zé Fava. Que sim, que adorava, porque sempre me ouviu falar
do homem que foi responsável por me ter feito entrar na Maçonaria tinha eu 29
anos e o Manel acabadinho de nascer.
Na quarta volto a Lisboa e iremos almoçar os três a casa do
Fava.
Fiz mesmo bem, contra tudo o que tem sido meu hábito, atender
aquele telefonema só com números no visor.
Enorme Abraço nos espera, passados tantos anos.
Até lá.
O António vai adorar-te, até porque, tal como nós, tens uma 'pancada' enorme! E os loucos costumam sempre dar-se bem uns com os outros agradavelmente.
Vais ver!



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