O Preconceito e o Desassombro!



Desde que vivo na Nazaré e me habituei a olhar para o mar em frente da minha casa, vejo o horizonte, porque esse mar raramente tem ondas dignas desse nome. E, a ‘espuma dos dias’ passa-me ao lado.

Talvez por isso, deixei de me deter nela. Aqui, não existe. Vê-se mais longe.

Ouço a Rádio da Marinha Grande em tempos de campanha eleitoral. Todas as entrevistas, reportagens e comentários. Em direto e a ‘cores’.

Na passada quinta ouvi, comovido, a entrevista do Alfredo João, onde relata todo o seu percurso, histórias da sua vida pessoal, familiar e profissional. Enaltece os valores que lhe foram passados, desde os do seu avô João Gouveia, aos dos seus pais, Amigos, e claro, a sua passagem pela Armada como oficial. A importância de ter pertencido à mais antiga Marinha de Guerra do Mundo, as suas praxes, valores, vivências e memórias.

Na entrevista também passou a sua análise acerca do nosso Concelho, da minha Freguesia e dos seus protagonistas, passados e presentes.

Foi muito interessante, tanto as respostas como as perguntas. Fiz questão de o ter dito nesse mesmo dia a ambos os protagonistas. A Professora Élvira, que inventou este notável programa, como ao próprio João que sempre considerei um Amigo de entre os melhores que ainda conservo.

Comovi-me com o tema dos Beatles que escolheu para o final do programa, embora a sua interpretação da letra não esteja correta, como também fiz questão de lhe ter dito. 

Passei a entrevista áudio que a Profª. Élvira teve a amabilidade de me ter enviado à Helena, porque como sempre fui um tipo exagerado e de fáceis deslumbramentos, cheguei a pensar que poderia estar a tomar a nuvem por Juno. Confirmei que a opinião que tinha não era única.

Foi brilhante a todos os níveis, ainda mais por ter decorrido em menos de uma hora de conversa corrida.

Há, no entanto, um facto que não posso deixar de sublinhar. De todos os temas abordados, o mais relevante deles não mereceu uma única linha na notícia que hoje aparece no JMG.

A importância cultural, histórica, sociológica e inovadora em todo o mundo da influência da Maçonaria no conceito e na visão de Guilherme Stephens na Real Fábrica de Vidros. Explicado foi como apareceu pela primeira vez no mundo a jornada de 8 horas de trabalho, com a divisão da 'régua de 24 polegadas' em 3 partes iguais. 8 horas de trabalho, 8 de descanso e 8 de recreação. Isto num tempo que mesmo em Inglaterra, as horas de trabalho na indústria era de 12, 14, 17 horas/dia. Nada disto aparece na reportagem. Talvez por falta de espaço para escrever uma frase. 'Talvez' por isso.  

Sobraram nessa reportagem apenas o percurso pessoal do entrevistado que por mais rico que seja ou tenha sido, defraudou, no seu conjunto, completamente quem ouviu toda a entrevista.

Lamento. 

E lamento profundamente. 

Não por ter sido iniciado aos 29 anos numa Loja do Grande Oriente Lusitano.

De lá para cá, saí. 

Sem mágoas, sem más interpretações, sem nada por resolver. E com os mesmos Amigos que por lá conheci e permanecem na minha vida. 

No dia em que o meu caixão baixar à terra será com o meu avental que descerá comigo e à vista de todos.

O preconceito ou a ‘distração’, por vezes merecem referência. Neste caso, muito mais que um lamento, porque não foi falta de espaço. Foi preconceito.

E nada mais.

Faz-me lembrar o triste do Galileu, que teve de jurar a pés juntos que era o Sol que se movia à volta da terra.

O preconceito e a afronta sempre estiveram em campos opostos.

Como se viu hoje no Jornal da Marinha Grande.

Tristeza!

E pior que isso, desilusão.

Provavelmente se fossem os habitués 'putativos historiadores' marinhenses a  escrever um mero opúsculo com todas essas evidências mereceriam melhor e maior destaque. Coisas da mediocridade e da mediania absoluta do costume. É que historiadores locais e boçais sempre merecem melhor respeitabilidade que resumir num parágrafo ou dois evidências. Não é falta de espaço. É preconceito. E ignorância.

Ainda estamos a anos luz das coisas, por melhores editoriais que sejam escritos, que o têm sido.

Não chega!

Os Maçons, essa triste gente, que a par dos comunistas e democratas nunca se vergaram e sempre perseguidos foram por Salazar e pelo inefável Marcelo, e que logo após o 25 de Abril produziram o primeiro Primeiro Ministro da Terceira República portuguesa: Adelino da Palma Carlos de seu nome!

E por aqui me fico.

Muito bem estiveste tu João. Para quem te ouviu claro, porque para os outros, nasceste na Vieira, tiveste uma história pessoal, empresarial, militar e política e nada mais. E até nisso foste notável.

De resto, uma reportagem escrita da treta. Apenas porque conduzida pelo preconceito e pela vontade mesquinha de manter a ignorância dos factos. Por nada mais que isso, o que, para mim, é significante.
E isto nada tem que ver com os Maçons nem com a Maçonaria. É muito mais profundo que isso, porque mesquinho e hipócrita.
Estudem o que a Loja 'Heliodoro Salgado' a oriente da Marinha Grande fez pela restauração do Concelho. Verifiquem os documentos todos e concluam o  que passados mais de 110 anos continuam a renegar. O enorme papel da Maçonaria nesse Concelho de atuais provincianos, incultos ou pior ainda, preconceituosos inqualificáveis, que é o que vocês são! 
Estão sentados num pote de ouro de evidências e teimam sempre em olhar para o lado oposto da história.
Novos ricos, porque os velhos, só deixaram mesmo o nome, alguns princípios e pouca, muito pouca descendência digna desses nomes.
Tristes!


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