Era uma vez uma Aldeia. 4
Passaram vinte e tal anos sobre o episódio dos jornais e já o
revanchismo e a perfídia gratuita se vão sobrepondo a todas as atitudes de um
empregado de café de Leiria e da sua magnífica esposa e eis quando o Banco
Comercial Português em 1987 lhes propõe um negócio irrecusável.
70.000 contos de reis, há 40 anos.
350.000 euros há quarenta anos para trespassar o café ao
banco.
Perguntam ao meu pai se não se opunha. Aceitou, sem levantar
qualquer obstáculo.
Ficavam milionários com um espaço que não era deles. Eram
ambos novos e decidiram manter um pequeno negócio de venda de jornais, tabacos,
revistas e jogo, iniciando com isso um processo com o cabeleireiro Carlos
Alexandre então inquilino do meu pai no espaço contíguo, onde até à tempestade
funcionou uma nutricionista.
Chegaram os dois a um acordo por 3.000 contos. O Carlos trespassava
ao Rodrigues para se ‘transladar’ para lá com esse negócio. Volta a perguntar
ao meu pai se se opunha.
Nada. Não levantou qualquer obstáculo.
O Raúl do Brejo, uma manhã no seu primeiro café do dia vira-se para
o senhor Rodrigues e só lhe diz: “Calhou-lhe a sorte grande!”
Resposta ríspida: “pois calhou, mas ao Armando Teodósio,
calhou a terminação!”
Após uns dias aparece a novidade, como pagava por 250 m2 10
contos de reis por mês e o Carlos Alexandre pagava 20 por apenas 20 m2, teve a suprema lata de
propor ao meu pai: “eu faço o negócio, mas o senhor Armando, tem de me cobrar a
mesma renda que lhe pago hoje pelo café”.
O meu pai era um homem bastante orgulhoso e estava farto
daquela família e só lhe respondeu: “porque tenho de receber menos que o que o
Carlos me paga agora?”
Tudo por água abaixo.
70.000 contos há 40 anos!
E tudo ficou na mesma.


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