A Mentira, entre outras coisas maiores.
A mentira, a omissão, o cinismo, a hipocrisia e o silêncio
conveniente são formas de defesa poderosas.
Todos as sabemos usar na perfeição.
Eu, pelo menos sempre soube. Defendi o indefensável, menti
categoricamente, fui hipócrita e cínico com manifesta competência e calei-me a
tanta coisa, que, sinceramente, não me lembro.
Muito competente fui eu a manobrar estas ‘virtudes’.
Até que, aos 39 anos fui despedido do BCP, por ter feito um
negócio que beneficiou o Banco, mas onde tinha ultrapassado a minha hierarquia.
Ganhei em tribunal e fui trabalhar como Presidente do Conselho de Administração
da TUMG, ainda essa empresa era uma chafarica.
De tudo fui chamado nessa altura. De boy do PS, entre outros
mimos, até por alguns camaradas que ainda por lá proliferam e pontificam.
Saí dessa empresa municipal para ser internado na urgência
psiquiátrica do Hospital de Santo André. E de lá saí, podre e exausto.
Com 43 anos.
Com um diagnóstico maravilhoso de bipolaridade.
Com 44 vi-me reformado por invalidez, com uma pensão de 360
euros.
Carregado de dívidas contraídas para adquirir ações do BCP (aconselhado a comprar por administradores e diretores) que comprei por 550.000 euros a crédito e vendi, sem liquidar créditos por
34.000 euros.
Sozinho, com a minha tia nos paliativos e de volta à minha
Casa. Completamente sozinho.
Tudo isso ultrapassei, em dez, quase 15 anos.
De lá para cá fiquei inevitavelmente diferente. E para sempre ficarei!
As minhas defesas tinham mudado radicalmente. Sinceramente,
nem me dei conta disso.
A hipocrisia, o cinismo, a mentira e a omissão nunca mais atravessaram os meus caminhos.
A nossa vida é feita de ciclos intermináveis e curiosos.
Há alguns anos, não muitos, digo e escrevo exclusivamente o
que penso e o que sinto sobre o que me apetece.
Passei, para muitos a ser o bobo da corte, o apalhaçado, o
louco, o malcriado e o inconveniente. Sinceramente não me importo com todos
esses epítetos que alguns ou a maioria me vão atribuindo. Não me incomodam … rigorosamente
nada.
Se, se ganha com isso?
Pergunto eu.
Pelo menos, noites bem dormidas e paz de espírito.
É pouco?
É muito?
Para mim é tudo.
Por isso desprezo toda a gente que assim não procede.
Ou por falta de nervo ou por falta de carácter, ou por
manifesta conveniência de quem quer alguma coisa de alguém e simplesmente não dispensa
àqueles de quem dependem, toda a hipocrisia que necessitam continuar a ter.
Ou então por presunçosa educação que não permite, porque não permite que as pessoas sejam aquilo para o que foram feitas. Serem livres e de coração puro. Foram essas mesmas pessoas que acomodaram em silêncio 48 anos de fascismo. Por delicadeza cobarde. E na manhã de Abril vieram para as ruas, quando duas semanas antes fecharam as portas aos estudantes que fugiam pela Av. Almirante Reis acima.
Povo estranho este! Que em cinquenta anos de democracia, se ajunta com um milhão e trezentos mil votos. Estiveram sempre no armário. De onde nunca deveriam ter saído. Digo eu.
Ainda hoje me perguntaram porque sofro com coisas que não me dizem respeito, com as quais nada tenho a ver. Bela pergunta. Talvez, porque nunca fui egoísta, apenas concentrado nos meus problemas, que ultimamente tantos têm sido.
...
Na Vieira ganhou o Chega, caramba!
E na Marinha temos um Vereador que escreve presunçosamente, como se de alguma coisa soubesse, todas as semanas no JMG, tendo-se acobertado nas listas de um partido fascista e nem dignidade teve de pôr o seu lugar à disposição do partido que o elegeu, porque ninguém sabia quem era.
E ninguém diz isto, salvo os seus ex camaradas de partido, que justamente se sentem traídos, por quem usaram e por quem os usou.
Estão todos bem uns para o outro. Uns fascistazecos de araque, como se tem visto nas Assembleias Municipais, o outro, um homem sem quaisquer escrúpulos, que até devia ter aulas de dicção e gramática, porque quando se dirige aos 'munícipes' diz constantemente 'aos municípios', entre outras alarvidades de quem não domina a língua onde se pretende exprimir.



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