O Gonçalito das TV's.


 

O advogado do Diabo.

Sou um tipo bastante obsessivo em algumas coisas. Desde miúdo, com os discos de 45 rpm com histórias da Disney, ouvia-os sozinho, vezes sem conta.

Quando a Lígia me contava sempre a mesma história (sempre a mesma porque a meu pedido) para adormecer, eu fingia estar a dormir e corrigia-a sempre que um pormenor era alterado ou omitido, porque tinha de ser sempre tudo igual. Nesse caso era a história dos dois irmãos que se perdiam na floresta e eram capturados por uma bruxa com uma casa feita de doces. Se o pormenor, por exemplo, do puxador da porta fosse alterado, eu abria os olhos e dizia: “não é com caramelos é com rebuçados” e por aí fora, até ao fim. Só depois de todas as correções conseguia adormecer.

Fui sempre assim com tudo o que gosto muito.

Sou perfeitamente capaz de passar uma noite inteira a ouvir a mesma música.

Sou capaz de, com o mesmo prazer ler o mesmo livro vezes sem conta, com uns anos de intervalo, ou demorar-me horas a olhar para um quadro.

Com filmes ou séries então, até tenho vergonha de dizer.

O filme ‘O advogado do diabo’ com Al Pacino é um dos filmes que mais vi. Por dois motivos. O diálogo do diabo (Al Pacino) com o seu filho (Keanu Reeves) é monumental.

Mas, o que mais conta neste contexto, é mesmo a parte final, quando o diabo aparece transformado em jornalista de província e após a primeira derrota do seu filho, lhe propõe uma simples entrevista e ele aceita.

Assim que Keanu Reeves desaparece de cena, a cara do jornalista transforma-se na do Al Pacino que diz para a câmara:

“de todos os pecados, a vaidade, sempre foi o meu preferido”.

Foi o que aconteceu no domingo com o Gonçalito de Leiria.

Com tanto brilhantismo e exposição mediática, precisava lá ele de ir fazer de cubo de gelo? Educado à exaustão que até agradeceu no fim do programa o convite onde foi vilipendiado, agredido gratuitamente e enxovalhado? Vergonha. Cinismo e mentira. Em nome do quê? Da presunçosa educação irrepreensível?

Por vezes a melhor postura de educação é virar costas, só que para narcisistas compulsivos a ‘aparição’ televisiva é mais forte que a razão. Dele e das dezenas de agentes de comunicação que andam constantemente atrás dele a começar pelo seu Chefe de Gabinete que é apenas um ‘comunicador’, que não deve saber nada da orgânica interna do município onde deveria estar a trabalhar.

Prioridades!

A falta de solidariedade com o município da Marinha Grande e de Coimbra revela um sintoma só próprio dos egoístas, com agenda própria.

O Presidente da Federação Distrital do Partido Socialista de Leiria está, como tantos e tantos outros antes dele, a construir o seu caminho próprio.

Brilhante autarca, isso é certo, mas o que aconteceu na NOW, era perfeitamente dispensável!

“a vaidade é o meu pecado preferido, como dizia Al Pacino”.

Foi o caso

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