Mateus: 23, 27.

 


“Não quero pagar por aquilo que não fiz.” Como na canção de Abril cantada no SOM a semana passada.

Muitos erros cometi na vida. Muitos insultos gratuitos e injustos, disse e escrevi.

É verdade.

Foram erros.

Nos últimos seis ou sete anos, fui-me comedindo nas opiniões. Nunca na ‘pontaria’ e nos alvos que fui escolhendo.

Talvez seja porque estou mais velho, talvez seja pela influência da Helena na minha vida, sei lá.

Tracei linhas vermelhas e todos os dias as tento mostrar aos meus rapazes, que quase nunca concordam comigo. Também são putos e idealistas, mas com outra abordagem, acerca do comportamento que escolhi ter. Respeito isso, embora saiba que a vida lhes irá fazer o enorme favor de os ir esmagando aos poucos, por mais talento que tenham ou consigam demonstrar. A vida nunca é fácil, nem linear. É feita, principalmente de grandes dificuldades e desilusões profundas com aqueles que mais perto de nós se encontram.

Nunca mudou. A vida e as pessoas sempre tiveram as mesmas características e a mesma crueldade. Há milénios que assim é. E continuará a ser.

Sou Cristão, desde que me conheço como gente. Nunca frequentei Seminários, nem nasci numa família religiosa. Foi uma opção que fiz sozinho e da qual nunca me arrependi. Revejo-me, não no Deus castigador do Antigo Testamento, mas nos 4 Testamentos, onde a vida do ‘filho do Homem’ é relatada à exaustão. Cristo misericordioso, complacente com os mais desfavorecidos, inteligente, arguto com os poderosos e frontal. O Cristo do perdão absoluto.

No Evangelho de São Mateus vem escrito, capítulo 23 - versículo 27:

"Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês são como sepulcros caiados: bonitos por fora, mas por dentro estão cheios de ossos e de todo tipo de imundície.”

Por vezes pergunto-me porque pouca gente referencia estas palavras?

Esta frase foi dita aos gritos, com elevada ira às portas do Templo de Salomão, dirigindo-se aos escribas e Mestres da Lei de Moisés.

Também me identifico com essa postura, onde mais à frente os chama de "corja de víboras".

O filho do Homem, também a eles se lhes referiu desta forma, ‘digamos’, algo ternurenta. 

O que ganhou com essa atitude na sagrada semana da Páscoa?

Só perdeu!

Consegui nos últimos anos ganhar, para meu consolo algumas ferozes antipatias, na Marinha Grande, na Vieira e até em Leiria.

O que ganhei com isso?

Nada.

Rigorosamente nada.

Apenas a minha integridade.

Só não quero, como iniciei este texto, “pagar por aquilo que não fiz”.

Outros que o façam, pelo que construíram, destruíram, dissimularam e mentiram e ainda procuram fazer dentro da sua beatitude, falta absoluta de princípios, de memória e dos básicos valores.

Que Deus, do alto da Sua Sabedoria "tenha compaixão de vós, vos perdoe os vossos pecados e vos conduza à vida eterna. Amen".


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