Laurindo Gomes.
Há um homenzito na Vieira que pretendeu ofender a memória da
minha mãe que morreu em 2005.
Laurindo Gomes de seu nome.
Um canalha, que escreveu isto:
“desculpa ...mas a tua mãe fartou se de me espancar
...destruiu me como aluno e para mim ...(esta é a minha opinião) não foi só
comigo. DEUS LHE PERDOE.
Faltei à escola com medo
...todos os dias me espancava ..as armas eram reguadas ...cana da Índia na
cabeça ...com todo o respeito que te tenho acho que se fosse hoje e com os pais
que temos hoje ela ia responder na justiça. Se faço isto e porque ainda hoje
com 65 anos estou traumatizado com a situação que vivi.
Não eram tratados com o mesmo
critério. esses que mencionas não teem galos na cabeça como eu ainda hoje tenho”
Este energúmeno odioso que passa a vida a gritar e ofender
quem entende, desta vez meteu-se com a pessoa errada e com a sagrada memória da
mulher que me deu a vida e dedicou 46 anos a ensinar ricos e pobres, da mesma
forma.
Professora Primária das antigas, trabalhou 46 anos seguidos no ensino e
só se reformou para poder cuidar da débil saúde do meu pai.
Trabalhou para conseguir estudar, porque vinha de uma família
pobre. Terminou a Magistério Primário com 41 anos, porque até lá foi 'Regente Escolar' (como se dizia na altura), porque só tinha o quinto ano dos liceus. Sempre a trabalhar desde os 12
anos de idade.
Trabalhou em diversos ofícios para sustentar a sua mãe, os
irmãos mais novos e alguns sobrinhos.
Casou tarde com o amor da sua vida.
No dia do seu funeral, teve centenas de alunos presentes.
Comovidos.
Ainda hoje me lembro do enorme abraço do João Paulo Linhares,
que não é um homem de emoções fáceis e muito menos públicas, dizer-me ao
ouvido: “ficas a saber que hoje perdi uma parte importante da minha vida”.
Nunca até hoje tinha lido alguma coisa tão asquerosamente
escrita por alguém.
E não a vou deixar passar em branco. Não para defender a
memória da minha mãe, porque essa não necessita de qualquer defesa. Apenas
porque este tipo de ódio gratuito e inconsequente, nos dias que correm não é
novo. É lamentavelmente fruto dos tempos que vivemos.
Um dia fui assistir, como encarregado de educação do meu
filho mais novo a uma reunião de pais. Curiosamente a diretora de turma tinha
sido também minha professora de francês.
Assisti a um levantamento de malcriados, exigentes e furiosos
com a professora.
Deixei-me ficar para o fim. E, como é meu timbre não fiquei
calado. Pedi a palavra e só lhes disse, "se a minha mãe fosse a diretora desta
turma, há muito que vos tinha mandado um berro e estariam todos fora desta
sala. Vocês são pais mal educados que nem os vossos filhos sabem educar e vêm
para aqui cobrar a falta de educação que não conseguem dar aos vossos filhos”.
Cheguei a casa e disse à Sandra: “nunca mais ponho os pés em
reuniões de grunhos”.
E nunca mais lá voltei.
A minha mãe acompanhava os seus alunos até ao 9º ano. Ai de
quem não lhe fosse mostrar as notas a casa no final do ano letivo.
Deu explicações de graça a toda a gente.
Era exigente demais.
Construiu uma sala de aulas em minha casa, com um quadro de
ardósia, mesas e cadeiras para mais de 40 miúdos. Tinham aulas de manhã, iam
almoçar e regressavam a minha casa até ao final da tarde para os preparar para
os exames.
Passavam todos.
Foi uma professora como poucas.
Um dia o Professor Fausto disse-me: “a tua mãe sempre
exagerou, porque sempre fez muito mais do que lhe era exigido”.
Hoje confrontei-me com as opiniões de um merdas que odeia
toda a gente.
Quando algum dia lhe desejares que “Deus lhe perdoe”, pede-Lhe
perdão para ti próprio, se bem que, Deus perdoa sempre, porque como disse Jesus
pregado no madeiro, “perdoai-lhes Pai, porque não sabem o que dizem!”
És um tipo odioso, que não merecia qualquer resposta, mas como te disse: "resolveste meter-te comigo e com a Sagrada memória da minha Mãe" e isso não tem perdão nem esquecimento.
Conseguiste passar na quarta classe, vá lá saber-se como, porque até broncos como tu a minha mãe conseguiu fazer passar nos exigentes exames daquela época! Hoje o teu pai reclamaria por um psicólogo e por passares sem saber, a escrever com erros e falta de raciocínio. Mesmo assim passarias nos dias de hoje ou então a tua professora responderia perante a Justiça. Ficaste traumatizado com ela.
És um simplório canalhita de circunstância. Ressabiado e ingrato. É apenas isso que és Laurindo.
A coragem não se deve limitar a responder àqueles que consideramos dignos dela: ou pela cultura, erudição ou basta informação. A coragem deve canalizar-se sempre e sempre que os nossos princípios e integridade são postos em causa. Quer seja por canalhas, por incultos ou simplesmente por parvos. Como é o teu caso!
Foi por causa da sobranceria da intelectualidade portuguesa, com a sua indiferença plena de superioridade que permitiu que 60 grunhos estejam hoje sentados na Casa da Democracia e tenham posto a nossa sagrada República doente.
Foram todos permitindo com o seu silêncio altivo que os Laurindos asquerosos desta vida tivessem voz sem qualquer resposta.
A cada estocada tresloucada, uma resposta adequada, firme e sem medo. É apenas isso que, de uma forma ou de outra tenho tentado, com ou sem êxito, procurado fazer. Há alguns anos. Neste blog. Talvez por isso tenha leitores em manifesta abundância, graças a Deus, à sorte, à cusquice ou simplesmente à procura pelos caminhos da verdade do desassombro.



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