Vida ou morte.
Todos conhecem esta imagem.
Uma leoa após terminada uma luta pela sobrevivência da sua cria.
É um verdadeiro espetáculo da natureza, onde o amor, a
preocupação, a raiva extrema e a coragem absoluta se revelam, simultaneamente.
Pois é exatamente assim que me encontro agora a lutar pela minha
casa.
Eu, o António e o João.
Que ninguém duvide que salvaremos a nossa cria e que ninguém nunca mais lhe porá a pata em cima.
Para nunca mais.
Que inventem o que inventarem, como fizeram no passado.
Desta vez não vão ter sorte, porque como disse sempre a minha mãe, "o que é teu, um dia à tua mão te voltará."
Acabou.
E, já agora, tira de lá as tuas tralhas, que tenho um mês para evitar que a minha casa caia. E não estamos nada interessados nisso. Pois não, António? Já falaste com o João acerca dessa possibilidade?
Para a semana o empreiteiro entra para cumprir com as ordens camarárias que serão aprovadas na próxima reunião de Câmara.
Nem que tenhamos de ser nós a pôr as grades, balcões, mesas e cadeiras dessa taberna na rua!
Comunica ao 'gabinete de advogados', que constituíste, como disse o Presidente da Câmara, na reunião anterior onde manifestaste a tua total colaboração, apesar dessa colaboração apenas se ter verificado quando a GNR, a Proteção Civil e Técnicos da Câmara Municipal te terem encerrado as portas coercivamente, porque nem o despacho presidencial cumpriste, como te foi facultado desde o dia 14 de fevereiro.
Será que com tanta gente inteligente e de bom senso nessa ilustre família ninguém te disse nada acerca disso?
Eu preveni o meu ilustre compadre, primeiro Secretário da Assembleia Municipal da Marinha Grande, duas semanas antes. E fi-lo por manifesta cortesia e amizade para te chamar à razão.
Agora escreve-te coisas legais.
E no domingo lá continuará a dirigir o coro da Igreja.
Há coisas que por mais louco que eu seja, não consigo entender.
Ou talvez sempre tenha entendido e me tenha recusado a ver o que sempre esteve à minha frente.
Vocês são todos iguais.
Talvez seja isso. Uma questão de clãs.
Tal como as hienas e os leões.
No fim, ganham os leões, como vai ser o caso, até porque nenhum de nós, os que 'não têm onde cair mortos', como vocês um dia disseram a nosso respeito, neste momento não temos qualquer vontade rir, com nada disto.
As hienas, como é sabido, é que riem muito, mesmo quando acossadas.
Será o vosso caso.
Vai-te rir para a rua António Teodósio Pedrosa, que tem boa visibilidade pública, terás um senhorio simpático e colaborador e excelente clientela, que como disse um dia o teu paizinho "o Armando Teodósio aqui neste café, só tem as paredes". Eu, passados 40 anos respondo: o filhos e os netos do Armando Teodósio ainda têm as paredes, o teto e o chão.
É suficiente.
Boa Páscoa a todos vós, que como deverias saber, é um tempo de Passagem, renovação e renascimento.
Boa sorte com as águas das pedras sem gás.
Entendes-me?
Foi esse o código que esta semana uns putos me disseram ser o habitual para venderes determinados produtos recreativos. Devem ser lucrativos e sempre passam ao largo do fisco.
No teu novo espaço deverás aumentar o stock para farinha Maizena, por exemplo.
É só uma sugestão comercial, para produzires a tua 'pastelaria' própria.



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