Este miúdo nasceu, faz hoje 23 anos.
O meu António.
É por estes olhos verdes, tal como os do meu pai, que
aparecerá um dia a nossa nova/velha Casa.
Está a mês e meio de acabar o Mestrado pela Faculdade de Arquitetura
da Universidade de Lisboa. Já fez seis meses na USP (Universidade de São Paulo),
só porque adorava o arquiteto que desenhou o edifício daquela que foi a sua
Escola durante um semestre.
Costuma dizer que os arquitetos se admiram uns aos outros,
contrariamente a outras profissões onde a canalhice e a inveja normalmente
imperam.
Desde os 12 anos sempre soube o que queria ser.
Acabou o curso de música do Orfeão com o saxofone. Tocou em
duas Orquestras dessa nobre escola. Fui sempre eu que o levava, esperava e
trazia para casa. Jogou no glorioso IDV que ajudou a fazer dele um homem, desde
os 8 anos de idade até ir para Lisboa estudar.
É um puto reservado, aparentemente calmo, monumentalmente
justo e solidário com os seus amigos.
Deixou a música porque tem a mania que não tinha tempo para
estudar e tocar ao mesmo tempo. Coisas de perfeccionistas.
Foi frequentando os mesmos espaços de jazz que eu frequentei
30 anos antes, por todos os ‘buracos’ da noite onde essa estranha música em Lisboa
se ouvia e ainda ouve, como no Hot.
Sempre achei piada a isso. Curiosas semelhanças.
Perdeu-se sempre em exposições, conferências, cinema e teatros,
tal como eu. Só que, como tinha escolhido o seu destino académico, sempre foi
um aluno brilhante.
Já eu, fiquei-me com uma média miserável de 12 valores, apenas porque frequentei um curso por 'obrigação' e elevado desprazer.
Não sei o que teria sido de nós sem a sua indispensável
ajuda, com empresas, orçamentos e empreiteiros para ultrapassar a calamidade
que nos aconteceu em janeiro passado.
Sinceramente não sei!
Costumo dizer que, quanto aos filhos, temos de os saber
educar, dar os certos princípios e essencialmente bons exemplos.
Mas isso nunca basta. Porque a ‘magia’ é sempre fundamental.
Tenho três rapazes e sou um homem muito afortunado.
Hoje o António faz 23 anos.
Parabéns puto. Não pelo teu Aniversário.
Mas ‘apenas’ por seres quem és!
Um beijo.
A sorte que tive em te ter na minha vida.



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