A Cobra Gorda Com Veneno Da Treta.
Bem sei que só devemos dar importância a quem e ao que a tem.
Este texto não pretende conferir qualquer relevo a uma
senhora azeda e perversa há anos e anos. Penso até que o seu longo azedume a
alimenta, até porque o ódio, gratuito ou não, dá sempre enorme força a quem
dele respira para conseguir sobreviver.
Confesso que não odeio ninguém. Por vezes, como é sabido tenho umas raivas exaltadas. Nada mais que isso.
Tenho muita gente que não me suporta, o que até me dá um gozo
e vontade de rir. Sinceramente.
Uma noite na esplanada do Café Liz, numa mesa enorme rodeada
de gente, perguntei diretamente ao proprietário do negócio: “tu odeias-me assim
tanto, porquê?”. A resposta óbvia foi: “porque odeio”. Isto deve ter sido há
uns 15 anos, mais coisa, menos coisa e eram quinhentas e tal da manhã. Lembro-me
deste episódio edificante porque foi na noite em que uns vieirenses que
trabalham em Bruxelas tinham acabado de regressar para as suas habituais férias
de verão.
Não é desse comerciante que falo agora, até porque nada me
interessa da sua vida e do renascimento do seu estabelecimento comercial.
Perdi dois apartamentos, um deles com dois meses após
profundas obras de reabilitação para onde tinha decidido viver. O do segundo
andar também ficou amplamente destruído. A casa velha terá de ser escorada para
evitar a sua ruína, por despacho presidencial após uma cuidada vistoria
elaborada por cinco técnicos camarários. Apenas me queixei do prazo que
inicialmente me foi imposto para evitar a sua derrocada iminente e do facto de não constar (nesse relatório
exaustivo) os efeitos da tempestade Kristen.
De rigorosamente mais nada me queixei. Tirando obviamente o
facto inqualificável das portas do estabelecimento de restauração se encontrarem abertas, com
luzes ligadas, apesar dos meus constantes avisos para que temporariamente as fechasse.
Mas nesta vida, cada um é o que é e procede conforme lhe dita
a sua consciência, inteligência e sentido de responsabilidade pelos outros.
Neste caso a perigosidade dos clientes que atendia com manifesta alegria e boa
disposição simplesmente não existiam.
Atualmente vivo na Nazaré, tenho 99% de todos os meus imensos
problemas resolvidos e aprecio o pôr do sol diariamente e adormeço a ouvir as ondas do mar da minha mãe. Haverá alguma coisa mais pacificadora?
Deixei de ter qualquer prazer em frequentar essa miserável terra.
Adormecer e acordar dentro dela. Essa simples ideia passou a repugnar-me.
Tive ontem, tal como hoje e no sábado de voltar à aldeia da
Vieira. A primeira sensação que tenho quando chego é mesmo ir-me embora.
Detesto essa terra medíocre, mesquinha, calhandreira, intriguista, onde se diz
uma coisa na frente e outra por trás.
Sonho ver a minha casa velha reconstruída, nem que seja para
olhar para essa obra feita e regressar depois para qualquer lado.
Há décadas que a Vieira, a minha Vieira não existe.
Bairrismos bacocos e provincianos não são para mim.
A Vieira foi grande, ultrapassou-se, teve gente inteligente, inigualável e visionária. Não é por acaso que conjuguei todos estes verbos no passado. Terá de se reinventar, se as novas gerações tiverem capacidade de a essa conclusão atingirem.
Ainda tenho essa esperança.
Assim que cheguei ontem à Vieira, logo me vieram contar tudo o que uma
respeitável senhora diz acerca de mim por todas as lojas, restaurante e cafés.
Exatamente o que andou anos a dizer do próprio marido, dos
sogros, cunhado, colegas de trabalho e da única irmã.
Nada de novo.
Fiquei feliz de estar dentro do seu ciclo familiar mais intimo, na sua língua viperina.
A Vieira, ou Carvide, no seu pior.
As únicas coisas que tenho escrito acerca, tanto do café Liz
ou dos enormes prejuízos que tenho, baseiam-se em factos. Comprováveis todos.
Os estados de alma não são para aqui chamados.
Já as assinaturas que corroboram alguns desses factos, poderão
aparecer onde a dela própria consta a atestar uma enorme vergonha, desfaçatez,
vigarice e, neste caso, absoluta falta de memória.
Tem lá calma quando nas costas do teu marido me estraçalhas
em praça pública.
Tem calma rapariga e vê se consegues ser feliz, que é para
isso que todos cá estamos ou deveríamos estar.
Parece não ser o teu caso!
Mas, como no Domingo há Missa que Celebra Cristo ressuscitado pode ser que fiques mais 'apaziguada' ...... por umas horas.
Já não é mau de todo!
Já eu, vou estar a Páscoa toda no Alentejo na Pousada Flor da Rosa, sereno, com a mulher da minha vida e em Paz. E não, não tenho qualquer necessidade de bater com a mão no peito.
Deixei de ligar a rituais, com significado Sagrado, mas sem aplicabilidade prática da maioria de quem os pratica.
Feitios.
Que consigas ser Feliz rapariga. De uma vez por todas e sem odiar e dizer mal de ninguém.
Será que é assim tão difícil?
Eu nunca disse mal de ti. Escrevi e escrevo apenas que corroboraste e assinaste uma enorme mentira e vigarice.


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