O meu telhado voou, porque as telhas tinham vida própria. Quais andorinhas.
Vereador Sérgio Silva:
“eu vou votar a favor, mas queria dizer qualquer coisa por
que, (…) a comissão de vistoria não considera como causa nos problemas do
edifício a tempestade Kristin e isso eu não entendo muito bem, porque mesmo que
houvesse algum problema de envelhecimento no edificado, eu creio que até pela
data em que as coisas ocorreram que a génese do grande problema está na
tempestade Kristin, mas é só uma dúvida, que eu acho que foi isso que foi dito
ou é isso que está escrito e acho estranho essa afirmação e é assim para se
produzir tal afirmação, do meu ponto de vista, devia-se fundamentar
tecnicamente a mesma e isso também não vi (…) acho que sim que devemos votar”
Presidente Paulo Vicente:
“bem, mais alguma questão? Quem vota contra, quem se abstém?
Portanto por quatro votos a favor, meu, da Vereadora Carla Santana, do Vereador
Constâncio e do Vereador Sérgio Silva”.
Reunião de Câmara de ontem, 23 de fevereiro de 2026.
E com esta miserável votação termino para sempre este assunto, que já não se encontra mais nas minhas mãos.
Mas, vai chegar ao seu fim, demore o tempo que demorar e doa a quem doer.
Deverá ser a primeira vez desde que a Marinha Grande é Concelho que terá um Presidente de Câmara sentado no banco dos réus. Há sempre uma primeira vez para tudo. Mas fique descansado Vª Exª Senhor Paulo Vicente, não se irá encontrar sozinho. Sempre terá consigo abundante companhia. Assim sempre podem conversar todos uns com os outros.
Alegremente.
Como se pode verificar nesta foto da google street view de junho de 2024, eu devo ter estado desde essa altura a retirar cirurgicamente telhas da minha casa e como sabia da tempestade, esbardalhei todo o telhado na véspera, por forma a permitir que hectolitros e hectolitros de água da chuva lhe tivessem caído em cima.
Foi essa a conclusão que 5 técnicos da Câmara da Marinha devem ter chegado e ratificado foi ontem pelos ilustres membros do executivo permanente.
Como me disse Vª Exª Senhor Presidente no dia 14 quando fez o favor de me enviar o relatório (que nunca contestei), pondo 'apenas' em causa as suas conclusões e o seu ilustre despacho, uma vez que nem menção fez à tempestade:
"Tu és Teodósio. E os Teodósios trazem sempre uma sombra na testa!"
"Sou Teodósio sim, respondi-lhe, só quero os clientes do café livres de perigo e não trago sombras na testa. Tenho, isso sim, chuva até aos ossos, tal como a minha casa!"
Lembra-se Senhor Presidente?
No Café Liz, desde 1919 até ao dia da sua morte o meu avô sempre gritou "Viva a República, Viva a Liberdade" em todas as 'passagens de Ano, partindo garrafas de Champanhe e oferecendo a todos os seus clientes.
Morreu em 1953.
Nunca teve medo do fascismo nem do Salazar nem dos pides.
Era louco, tal como eu.
Tinha tempestades anímicas tropicais, que acabavam e se transformavam em calmarias pacíficas num segundo. Tal como eu.
Agora esse tipo de loucura tem um nome fofinho. Bipolaridade.
Mas os genes de cada um, são os genes de cada um. Cada um carrega a sua cruz. Enorme orgulho na cruz que me caiu em cima.
Já outros, com a sua genética própria, poderão dizer o mesmo?
Não creio!
É que uns gritaram e outros bufaram. À exaustão!
Uns na loucura do grito, outros no asqueroso silêncio de assinaturas canalhas.
É genético com toda a certeza.
Só pode.
PS: Despacho do Senhor Presidente Paulo Vicente:
A Câmara Municipal delibera:
-
Ao abrigo do n.º 2 do artigo 90.º do
Decreto-Lei n.º 555/99, de 16 de dezembro, na sua redação atual, notificar o
proprietário, do já identificado imóvel, das adendas ao auto de vistoria,
datadas de 20-022026 e 23-02-2026, que homologa, salvo na parte que diz
respeito ao prazo de 15 dias para execução das obras;
-
Conceder, para além dos cinco dias
constantes do auto de vistoria de 14-02-2026, mais trinta dias, a contar da
data da notificação da presente deliberação;
-
Indeferir,
face ao teor da segunda adenda ao auto de vistoria de 14-06-2026, o pedido para
que seja considerado que os danos que determinaram a ruína do prédio em apreço
derivam da tempestade
Kristin;
- Considerar que uma decisão sobre pedido de notificação do titular do estabelecimento, para retirar os equipamentos e quaisquer bens que tenha no mesmo, se tornou inútil porquanto é referido, por aquele, que não levantará “qualquer objeção à realização das necessárias obras no edifício e no locado”.
Estes técnicos até se enganaram na data da segunda adenda e colocaram, o dia 14 de Junho de 2026, que por acaso é o dia em farei, se lá chegar, 58 anos.
Foi com certeza, não um lapso, mas um presente de aniversário antecipado.
Fiquei profundamente agradecido com este gesto de inesquecível simpatia.
Logo veremos quem apaga as velas.









Comentários
Enviar um comentário