Panem et Circenses!
Este pequeno e sublime texto de D. José Tolentino Mendonça, tem a 'obrigação' de nos fazer refletir sobre nós, a nossa vida, aqueles que nos têm representado e, finalmente, sobre a real dimensão da palavra Abraço.
“Diz-se que o nosso corpo tem a forma de um abraço. Talvez por isso a tarefa de abraçar seja tão simples, mesmo quando temos de percorrer um longo caminho. O abraço tem uma incrível força expressiva. Comunica a disponibilidade de entrar em relação com os outros, superando o dualismo, fazendo cair armaduras e motivos, cedendo, nem que seja por instantes, na defesa do espaço individual. Há uma tipologia vastíssima de abraços, e cada uma delas ensina alguma coisa sobre aquilo que um abraço pode ser: acolhimento e despedida, congratulação e luto, reconciliação e embalo, afeto ou paixão. Os abraços são a arquitetura íntima da vida, o seu desenho invisível, mas absolutamente presente; são plenitude consentida ao desejo e memória que revitaliza. Todos nos reconhecemos aí: em abraços quotidianos e extraordinários, abraços dramáticos ou transparentes, abraços alagados de lágrimas ou em puro júbilo, abraços de próximos ou de distantes, abraços fraternos ou enamorados, abraços repetidos ou, porventura, naquele único e idealizado abraço que nunca chegou a acontecer mas a que voltamos interiormente vezes sem conta.
No princípio era o abraço, se pensarmos no colo que nos nutriu na primeira infância. Essa foi, para a maioria de nós, a primeira e reconfortante forma de comunicação. Mas a necessidade de um abraço acompanha a nossa existência até ao fim. O abraço é uma longa conversa que acontece sem palavras. Tudo o que tem de ser dito soletra-se no silêncio, e ocorre isto que é tão precioso e afinal tão raro: sem defesas, um coração coloca-se à escuta de outro coração.”
As sociedades democráticas são caracterizadas, entre muitas outras coisas, pela solidariedade entre todos os seus cidadãos, integridade de aplicação de estratégias, a parcimónia e modernidade na gestão da 'coisa publica' e, claro, na liberdade de expressão nas suas mais diversas formas, como na arte, por exemplo.
O que se passou ontem no nosso Concelho foi uma miséria, revoltante!
Quando o dever dos políticos, professores, mentores, coordenadores da educação, da saúde, da segurança, das infraestruturas do Estado e, principalmente na Justiça e na igualdade de acesso à mesma por todos, é sempre no aumento das "fasquias da qualidade" que todos se devem centrar. O mesmo significa, melhoramento na e da sociedade no seu todo e, por vezes, em parte.
Ontem foi um dia em que a mediocridade andou à solta pelo Concelho para gaudio da populaça.
Ninguém ficou bem nesta fotografia. Se o objetivo for dar a conhecer ao país o que foi, é e será o Concelho da Marinha Grande existe uma multiplicidade de formas e formatos dignos, inteligentes e pertinentes de o fazer.
Enquanto passava a carrinha da SIC, lembrei-me do conceito entre direita e esquerda que define, mas nunca deve desunir os políticos dignos representantes de ambas formas de pensar a sociedade.
Lembrei-me disto, porque o "Abraço" do Cardeal Tolentino contém, em si mesmo, um conceito de proteção, de aconchego, de preocupação pelos outros. Tudo valores sagrados para a esquerda dita ortodoxa ou contemporânea e moderna.
Há dias este executivo que ontem fez inundar as três freguesias que o compõem com mediania e mediocridade, no seu estado mais puro, aumentou dois escalões de apoio a todas as famílias que têm filhos em idade escolar. Em alguns escalões esse aumento alterou-se para o dobro do ano passado.
Justificados pelo aumento do ordenado mínimo e por um aumento das Atividades de Animação e Apoio à Família (AAAFs), ensino pré-escolar e da Componente de Apoio à Família (CAFs) no 1.° Ciclo do ensino básico: Mais uma medida de insensibilidade social.
Fica a pergunta de um milhão de dólares: das bandas da esquerda, quem votou contra? quem se absteve?
Da dita 'esquerda' entre quatro vereadores não houve um só que votasse contra. Das duas uma ou nenhum destes quatro vem da esquerda com preocupações sociais ou então estavam todos distraídos.
Pois o enorme conceito de "Abraço" de D. Tolentino Mendonça ficou ferido de morte.
Será que ninguém entende isto?
Podem vir com o despacho que nem sequer possui regulamento, fraca desculpa de tão fraca gente.
Só para acabar: Quanto custou esta atividade da Floribela e do Emanuel aos cofres do município?
Temos um executivo em permanente road show, tal como a camioneta/palco do Domingão da SIC.



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