As Presidenciais de Domingo e as últimas autárquicas da Marinha Grande.
“O tempo esse grande escultor”.
Maravilhoso título do monumental livro de Marguerite Yourcenar, aplica-se na perfeição aos dois últimos atos eleitorais.
As últimas autárquicas na Marinha Grande e as eleições presidenciais de domingo
passado.
Ambos os vencedores trazem esta frase nos ossos e na alma.
Traídos ambos pelas ‘elites’ dos seus partidos.
Saíram, qualquer deles, com honra, descrição e glória. Deixaram que o
tempo tivesse passado por eles ou eles pelo tempo.
Venceram esmagadoramente as suas eleições.
Um, passados dois mandatos autárquicos e com 70 anos apresenta-se a sufrágio e vence de forma absoluta e inequívoca. Aquele que tinha sido em reunião de Câmara apelidado pelo seu atual vice de: “presidente 'virgula' não eleito”, apenas porque se encontrava a substituir o dr. Álvaro Pereira afastado pelo seu próprio pé, e por gravíssimos problemas de saúde crónicos, que implicaram a sua morte prematura, aliás.
Nunca me esquecerei disso, nem dos ilustres traidores sem escrúpulos do Partido Socialista da Marinha Grande, que se coligaram, como um ninho de víboras (que ainda por lá pontificam, alguns deles) em redor da candidatura da professora Cidália, sem dó nem piedade, impedindo a reapresentação do Paulo Vicente ao segundo mandato.
Foi o que
se viu.
António José Seguro foi miseravelmente traído pelos seus notáveis, como Sampaio já anteriormente o tinha sido, aquando da escolha para candidato a presidente da Câmara de Lisboa e posteriormente na sua primeira candidatura ao mais alto cargo da nação.
Nefasto e perverso partido este, que mata os seus melhores. Só porque sim. Por invejas, intrigas palacianas e soberba intelectual de gente que conversa entre os corredores do poder, à mesa dos melhores restaurantes e circula entre os escritórios dos melhores advogados que mais não são que as maiores putas do sistema de interesses, negócios e favores. Como o anão António Vitorino, o cabeça de ananás Sérgio Sousa Pinto ou a wookista Isabel Moreira. Cada qual com o seu veneno pernicioso.
Na Marinha, houve os Valadas, os Araújos o inefável JPP, a Cláudia Fabiana, a Cristina Simões, entre outras figurinhas menores e totalmente ridículas, já agora.
Passou tempo, passou vida, alteraram-se circunstâncias e
regressaram ambos os preteridos candidatos das cinzas, quais fénix renascidas, plenos de honradez, dignidade,
respeito publico e consenso da turba.
Agora encontram-se ambos cheios de gente à sua volta. Direi gentalha que sempre aparece nos momentos bons. Mas aparece. À procura de sinecuras e prebendas.
Poderia enumerá-los quase todos, nome a nome. Da marinha e de Lisboa. Vontade a
vontade.
Uns tristes. Todos eles.
Orgulho imenso tenho eu em ti Paulo Jorge. E no Seguro em
quem pensei não votar de início, em consequência de uma infeliz entrevista que concedeu ao jornal Público. Mesmo assim fui a
tempo de emendar a mão atempadamente, porque realizei que nestas eleições presidenciais estaria muito mais em causa que uma frase totalmente evitável.
Quando o país ainda acolhe homens desta grandeza, quem somos
nós para nos esquecermos de todos os que lhes fizeram a vida negra?
Isso, para o bem e para o mal, nunca será para mim.
“Ser
Livre”
Ser Livre,
entre outras
coisas,
É
gostar de pensar.
E
duvidar
Permanentemente,
Sem nada
concluir.
Ser
Livre,
É
sentir.
Ser
livre,
É tomar
partido,
Mesmo sabendo
que outros
Atingem
diferentes conclusões.
Ser
Livre,
É não
temer quaisquer ocasiões,
Por mais
duras e difíceis, que todas sejam
Ou
Possam
vir a ser.
Ser Livre
É ter
a rara capacidade de Viver.
Ser
Livre
É falar,
É escrever,
É toda
uma forma bastante estranha
de ser.
Ser
Livre
É acima
de qualquer outra coisa,
Nada temer.
Porque
quando se sabe porque se pensa,
sente
ou
escreve
de determinada forma,
certa
ou errada,
mas
sempre forma da “norma”,
Ser
Livre,
acima de
tudo,
é
apenas crer.
Sem
medo,
Sem qualquer
receio de
contar
um segredo,
que a
todos importa saber,
porque
só dessa forma
se
pode concluir,
qual a
melhor maneira
de
agir.
Quando
se
pensa,
e
se
sente,
contrariamente
àquele
que
mente,
temendo
A Vida
e o seu Segredo.
Até
porque,
Ser livre
É o
antónimo do medo.
Ser
Livre
É acima
de tudo o resto,
Sofrer.
In Praça da República, texto 42 – Rui Teodósio Pedrosa, 19
de Abril de 2024



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