O Sublime.
Viver na dúvida.
Permanente,
Criadora e inquieta.
Conversar com os meus cães,
Alimentá-los, oferecer-lhes biscoitos do Continente,
Um a um.
Todos os dias,
como quem lhes agradece por estarem vivos e não fazerem
muitas perguntas, porque só afetos sabem transmitir e partilhar.
Apenas isso.
Abraçar um filho demoradamente.
Perder-me nos teus olhos tranquilos.
Fazer amor contigo,
Sem pressa nenhuma,
Sem calendário,
Sem nada,
que não os nossos corpos.
Olhar durante muito tempo o pôr do sol a cair em cima do mar
da Nazaré.
Ir cada vez mais ao cemitério,
Confirmar a finitude da vida e dos dias.
Saber onde os meus restos serão entregues.
Acordar e adormecer tranquilo
Ouvir música,
com bons phones,
sozinho, pela casa toda.
Prestar atenção a quem nos ensina,
seja pelo exemplo,
pela inteligência,
pela cultura ou pela erudição.
Ler livros inesquecíveis.
Muita poesia.
Abrir os braços ao nascer do sol.
Falar com Deus,
apenas para agradecer
A dádiva da Vida.
E nada mais.
Agradecer.
Cozinhar para os Amigos,
Beber um bom vinho com eles.
Devagar,
Bem devagar,
Porque os melhores momentos da vida não devem ter tempo
determinado.
Rir e fazer rir os outros.
Entrar em casa e sentir-me em casa.
Adormecer nos teus braços, como quem parte para qualquer lugar melhor.
Sonhar com o infinito,
Com o sublime,
Com a paz absoluta.
Isto sim,
é que conta,
Porque torna tudo mais simples,
O que,
muito raramente,
É.



Comentários
Enviar um comentário