Dividas e ausências de carácter.
“Rui
António Limpa a boca ó monte de esterco ambulante. Julgaste ddt,
mas só és alguem na vida porque alguem te deixou alguma coisa para estourares.
o que já construiste na vida? olha te ao espelho, e vê a mer.... que te
tornaste. labreg0”
O diabo está nos detalhes. Provérbio interessante.
Este perfil anónimo da Marinha Grande tem mais que um autor.
Diria que a sua magnífica página tem duas pessoas a postar. Distintas na forma,
coincidentes na absoluta falta de coragem de dizerem quem são. Faz parte desta
fauna.
Já não espanta ninguém. Só que os 'detalhes' da escrita revelam sempre quem está por trás deste sinistro FALSO perfil.
Acontece que, em terras pequenas torna-se fácil perceber quem
realmente se esconde por trás dos arbustos da opinião publicada.
O(s) senhor(es) Augusto(s) Oliveira(s), recorrem em manifesta
abundância, aos cartoons, com o único propósito de agredir e achincalhar terceiros.
Mas, sempre de fuças tapadas. Não vá o diabo tecê-las. E, a cobardia é irmã
gémea da prudência em excesso.
Sempre me deparei com gente invejosa e incompetente. A inveja
intriga-me e revolta-me, (talvez, porque de entre todos os meus imensos
defeitos esse nunca tenha sido um deles) só que, ao longo da vida, acabei por
conseguir fazer a distinção entre duas formas de invejar os outros. Uma benigna
outra repugnante.
Quando alguém inveja outra pessoa apenas porque gostaria de
ter o que alguém tem, é positivo (apesar de eu nunca ter sentido isso, em
nenhum momento da minha vida). Talvez por nunca ter sido um tipo muito
ambicioso. Há, no entanto, outro sentimento do invejoso que
simplesmente não quer que outra pessoa possua o que já tem. Normalmente essa
forma de estar alimenta ódios e ressabiamentos permanentes.
A frase deste Augusto Oliveira vale o que vale, ou seja, não
vale rigorosamente coisa nenhuma.
Ainda mais vinda de quem veio.
Um nobre cavaleiro andante que somou fracassos atrás de
fracassos, dívidas atrás de dívidas, vendas de alma, atrás de vendas de alma,
sempre envolvido numa imagem de intelectual e erudito a quem a 'sorte' nunca
bafejou. Coitado. Cultiva cuidadosamente a sua imagem de superioridade e
soberba na análise.
Não me ofendeu. Nem poderia. Por falta de credibilidade pública
e privada, ausência de estatuto e história de compromisso com a coisa pública,
em todos os seus domínios.
Nunca se comprometeu, com qualquer associação, com nenhuma
posição política, nenhum projeto digno desse nome que se centrasse apenas nos
outros e no interesse coletivo.
Escreve bem, é inteligente, mas está como sempre esteve, ‘ausente’,
habitando aquele limbo da presunçosa ‘intelectualidade’ leiriense, marinhense e
vieirense.
Um Zé Ninguém, que se julga o arquiduque do Luxemburgo.
Como não tem argumentos, escreveu o que transcrevo supra.
Interessante escrito.
Continuo a pensar que estas personagens devem ser
denunciadas, porque, caso contrário abrimos espaço à proliferação das fake news
e da multiplicação da total falta de escrúpulos. Foi, essencialmente por isso
que o partido fascista tem hoje um grupo parlamentar que, em seis anos, passou
de um para 60 deputados. Porque toda a gente fez por ignorar André Ventura.
A nossa história pessoal reveste-se sempre de muito poucos
momentos marcantes.
No tempo em que ninguém pedia faturas ou recibos no chamado
comércio local, o meu pai, entre muitos outros negócios, tinha uma loja de
eletrodomésticos da marca Philips. Possuía o exclusivo dessa marca na Vieira e
orgulhava-se disso. Chegou a estar entre os maiores 10 vendedores de rádios do
país e ganhou uma viagem à Holanda para visitar as fábricas da Philips. Naquele
tempo ir à Holanda era um prémio enorme e inesquecível. E lá vai o Armando
Teodósio pela primeira vez viajar de avião. Pela primeira e última, porque
viajar de avião não era acessível a muitas carteiras.
O meu pai foi sempre um homem sério. Um exemplo de dignidade
nos negócios, no trato, na decência e, já agora, na coragem política.
Digo isto para contar esta pequena história.
Naquele tempo, não existia o IVA, havia um imposto que se
chamava IT (imposto de transações, com um índice de cerca de 10%).
Uma noite, bate-lhe à porta um inspetor das
finanças e começa a pedir as faturas de diversos produtos expostos na sua loja.
Descobriu um fogão pequeno e um frigorífico sem fatura, de entre dezenas e
dezenas de produtos que construíam o seu stock.
Voltam para o escritório e o homem começa com uma conversa
redonda mas determinada. Tinha uma filha que ia casar e o valor de compra do
fogão e do frigorífico era substantivamente mais baixo que a multa que lhe
podia passar.
O meu pai foi sempre um homem de poucas falas. Ouviu. Calou.
Levantou-se e foi buscar o livro de cheques perguntando qual o valor da multa
que tinha para pagar ao Estado. Passou o cheque, entregou-o e acompanhou aquele
nobre inspetor até à porta sem lhe ter estendido a mão nem ter dito qualquer
palavra.
Passou mais de 40 anos, ele e as irmãs e a minha mãe a pagar
dívidas contraídas pelo meu avô António, que morreu novo e deixou aos filhos
uma situação financeira verdadeiramente calamitosa, com todo o património
hipotecado por 500 contos de reis à caixa geral de depósitos e algumas dívidas
particulares a dois amigos. Digamos que por junto e há 73 anos, uma dívida
total de 600 contos. Uma fortuna!
Tanto um como outro sempre foram homens honestos. Com feitios
distintos, mas com uma honestidade e coragem inabaláveis.
Fui, ao que todos dizem muito bem-nascido. Herdeiro único dos
meus pais e das minhas tias.
Cometi excessos com a compra de ações do bcp a crédito.
O que me tinha custado perto de meio milhão de euros em 2009,
vendi por 36.000 euros em 2017 e com imensos créditos por pagar.
Reconverti esses créditos, vendi um pequeno terreno urbano, libertei
hipotecas, passei mal, pedi dinheiro emprestado e geri os meus deves e haveres
muito criteriosamente. Passados cerca de 9 anos, devo muito pouco ou nada. Vivo
numa situação diferente. Todos os dias me deito com jantar. Nunca faltei aos
meus 3 filhos, aumentei o meu património imobiliário e estou prestes a
construir de raiz um imóvel que no fim de concluído valerá mais do que me
deixaram. Tripliquei o que herdei, não com valores de especulação imobiliária,
mas de valor absoluto. Irei deixar 3 vezes mais do que me deixaram, tendo
estado em situação de quase falência há uns anos atrás.
As falências são um desastre a que todos estamos sujeitos. Ou
por má gestão ou por azares acumulados. Não são vergonha para ninguém. Fazem
parte da vida de todos os dias.
Agora ler nas redes este parágrafo escrito por um homem que
tem medo de dizer quem é e deixou tudo por pagar um dia, não me dá vontade de
rir, porque me mete nojo.
Apenas isso.
Nojo.



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